Urbia pede reforço da GCM para conter o que chama de 'mau uso' da Marquise do Ibirapuera por skatistas e patinadores

  • 14/03/2026
(Foto: Reprodução)
Frequentadores avaliam que novas regras na Marquise do Ibirapuera são difíceis de cumprir Após ficar seis anos interditada para obras, a Marquise do Parque Ibirapuera foi reaberta ao público em janeiro deste ano, e o uso do espaço por skatistas e patinadores já tem gerado atritos com a concessionária Urbia, responsável pela gestão do parque. Desde a reinauguração, em 24 de janeiro, a empresa enviou três ofícios à gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) pedindo reforço no policiamento da Guarda Civil Metropolitana (GCM) para conter o que classifica como "mau uso" do local e episódios de "vandalismo intencional". O espaço destinado à prática de skate e patins as tem 3,6 mil metros quadrados — aproximadamente 13% da área total da Marquise — delimitados por uma fita preta no chão. A nova regra, no entanto, raramente é cumprida. Entre frequentadores ouvidos pelo g1, existe consenso de que o controle é difícil nos dias de pico, devido à quantidade de pessoas. Além disso, usuários consideram a área exclusiva pequena e criticam a falta de sinalização clara sobre os limites (veja vídeo acima). Projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) como elemento de conexão entre os pavilhões do conjunto do Ibirapuera, na Zona Sul da capital, a Marquise teve papel central na formação das culturas do skate e do patins em São Paulo, atraindo praticantes desde a década de 1970. “É só um chão liso, mas é um chão liso perfeito. É muito grande e ainda é coberto”, resume o skatista profissional Rodrigo TX, de 42 anos, que começou a frequentar o local na adolescência. Marquise do Ibirapuera tem apenas duas placas indicando novas regras de uso após reinauguração Leonardo Zvarick/g1 A marquise foi reaberta após uma longa reforma que custou R$ 87 milhões ao município. A obra foi executada pela Construcap, controladora da Urbia. A empresa e a prefeitura cogitaram proibir o skate e o patins sob a Marquise, mas recuaram. Três dias após a reabertura, porém, a concessionária enviou uma carta à prefeitura apontando risco de degradação e comprometimento estrutural devido à "prática reiterada de atividades expressamente vedadas" e "uso indevido de áreas" no primeiro fim de semana. O documento pede reforço da GCM para repreender as condutas consideradas irregulares e aponta skatistas e patinadores como responsáveis. A Urbia reforçou o pedido duas vezes no mês seguinte à reabertura. Em 13 de fevereiro, relatou que seus vigilantes vinham sofrendo ofensas e "palavras de baixo calão" ao tentar orientar os usuários e afirmou que o descumprimento das normas resulta da falta de policiamento permanente no parque. Marquise do Ibirapuera reabre com novas regras para prática de esportes O terceiro pedido, enviado em 20 de fevereiro, acompanhou a negativa da empresa a uma solicitação da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer para instalar uma pista de obstáculos temporária para divulgar o Mundial de Skate Street que aconteceu em São Paulo. Ao negar o pedido, a Urbia justificou que a ativação poderia incentivar "os inúmeros atos de mau uso, desrespeito ao Regulamento e de vandalismo que têm sido verificados pelos usuários, especialmente os praticantes de skate e patins". "Tais condutas, na verdade, não deveriam ser estimuladas pelo Poder Concedente, mas reprimidas e coibidas, especialmente quando se está ciente das irregularidades e dos danos que têm sido causados na Marquise do Parque Ibirapuera — que é um bem público de elevado valor histórico, arquitetônico e cultural — há pouco menos de um mês após a sua reinauguração", diz trecho da comunicação. Segundo o relatório de segurança enviado à administração municipal, a concessionária identificou 789 casos de quebra de regulamento sob a Marquise desde a inauguração. A Urbia diz que as infrações aumentaram e que, dos 36 acionamentos feitos à GCM em 2026, apenas sete resultaram em atendimentos. A Prefeitura de São Paulo disse ao g1 que reforçou o patrulhamento da GCM em toda a área do parque com 30 agentes, 13 viaturas e 6 motocicletas, "diante de um aumento da demanda". As equipes podem ser acionadas quando necessário para dar suporte em ocorrências mais graves na Marquise. Fotografias anexadas aos ofícios mostram skatistas fazendo manobras em paredes e pilares, ciclistas cruzando a área e grupos de patinadores usando cones e bancos do parque para praticar o esporte. Uma imagem também mostra uma pichação no piso. Skatista faz manobra sob Marquise do Ibirapuera, em São Paulo Leonardo Zvarick/g1 Nos três documentos, a empresa diz que não pode ser onerada com custos adicionais de fiscalização ou manutenção da Marquise em função das novas regras que criaram o setor exclusivo para skate, patins e BMX. O argumento não considera que, antes da concessão, essas práticas eram permitidas e amplamente difundidas no local. A Urbia também afirma que a vigilância patrimonial se mostrou ineficiente para conter o descumprimento das normas, ressaltando que não possui poder de polícia para reprimir as irregularidades. A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente rebateu a alegação sustentando que a Urbia "não pode se eximir de suas obrigações, pois é de sua responsabilidade a proteção do bem público tombado e a preservação da sua integridade estrutural". A resposta enviada à empresa em 20 de fevereiro diz que o plano de segurança do parque inclui "medidas de repreensão" entre as prerrogativas da concessionária para proteger o patrimônio do parque. Procurada pelo g1, a Urbia disse que o uso de paredes para manobras e pichações no chão da Marquise foram os principais problemas identificados pelas equipes de segurança, e que a fiscalização em questões de ordem pública é de responsabilidade da GCM. A concessionária afirma ainda que mantém diálogo com usuários e que pretende melhorar a sinalização do espaço, ressaltando que a Marquise continua sendo uma área pública. Ainda de acordo com a Urbia, a proposta de pista temporária previa manobras com dois metros de altura, o que foi considerado incompatível com o local. O Skate Park foi disponibilizado como alternativa para a ação. Frequentadores criticam novas regras Entre usuários da Marquise, o espaço é visto não apenas como área esportiva, mas também como um ponto tradicional de encontro da cultura do skate e do patins em São Paulo. Frequentadores ouvidos pelo g1 avaliam que o novo regulamento vai contra essa característica. "É um lugar público e livre, se colocar muita regra fica ruim. Essa restrição não vai durar, não tem como controlar", opina o skatista Alan Nunes, de 24 anos. Para Rangel Bairos, de 35 anos, a fiscalização mais rígida pode gerar tensão e mesmo assim não terá resultado. "Querendo ou não, uma hora você vai sair daqui, não dá para controlar. Skate e patins têm manobra, às vezes acontece de o skate 'espirrar'. Eu sei que tem a questão da manutenção, mas eu acho que [a nova regra] vai gerar estresse dos dois lados", disse. Marquise do Parque Ibirapuera vista do alto Reprodução Outra opinião comum entre usuários é que a área reservada é pequena demais para comportar todo o público, especialmente aos fins de semana. A fita preta no chão é considerada difícil de enxergar em velocidade e pouco informativa para quem não conhece as novas regras. Um instrutor e frequentador de 29 anos, que pediu anonimato por trabalhar no local, também critica o local escolhido para a zona exclusiva. Por ficar demarcado entre um portão de acesso ao parque e a ciclovia, é comum que pedestres e ciclistas cruzem a área de manobras. "Isso gera queda todo dia. De final de semana, são uns três ou quatro socorros de bombeiros, no mínimo, só nesse espaço", relatou. A equipe de reportagem esteve no Ibirapuera duas vezes na última semana e observou skatistas e patinadores utilizando toda a extensão da Marquise sem intervenção das equipes de segurança. No domingo (8), mesmo com o espaço lotado, havia apenas três vigilantes. Além das atividades permitidas, crianças e adolescentes andavam em patinetes elétricos e outros veículos motorizados, o que não é permitido. A área toda tem apenas duas placas explicando o regulamento. O receio de se acidentar faz com que a babá Patrícia Vieira, de 40 anos, evite a Marquise aos fins de semana. "Lota muito, e junta criança e gente que está aprendendo num espaço pequeno, a chance de acidente é grande", diz ela, que é iniciante no patins e tem frequentado o Ibirapuera toda semana.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/14/urbia-pede-reforco-da-gcm-para-conter-o-que-chama-de-mau-uso-da-marquise-do-ibirapuera-por-skatistas-e-patinadores.ghtml


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