Sabesp registra 4 mortes em acidentes ligados a obras e estruturas desde 2025; ViaMobilidade teve 3 casos

  • 15/05/2026
(Foto: Reprodução)
Morre segunda vítima da explosão no Jaguaré A confirmação da segunda morte após a explosão provocada por uma obra da Sabesp no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, elevou para ao menos sete o número de mortes registradas desde 2025 em ocorrências envolvendo a Sabesp e a ViaMobilidade. Os casos incluem descargas elétricas, acidentes durante manutenção ferroviária e rompimento de estruturas. 🔎Concessionária é uma empresa privada autorizada pelo Estado a operar um serviço público, como água, energia ou transporte, sob fiscalização estatal. A explosão no Jaguaré aconteceu na segunda-feira (11), quando uma obra da Sabesp atingiu uma tubulação de gás da Comgás. O acidente causou as mortes de Francisco Albino e de Alex Sandro Fernandes Nunes. Movimentação de trabalhadores da Comgás na área atingida por uma explosão na região do Jaguaré, na Zona Oeste de SP GUILHERME RODRIGUES/MYPHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Segundo o governo estadual, o número de imóveis interditados no local subiu de 20 para 27 após o aparecimento de novas rachaduras e danos estruturais. Desses, 22 precisarão passar por reformas e cinco foram condenados e deverão ser demolidos. Vídeos gravados por moradores mostram casas destruídas, vidros quebrados e prédios atingidos pela força da explosão. A Polícia Civil investiga o caso. Casos ligados à Sabesp Além das duas mortes no Jaguaré, outras ocorrências ligadas a obras e estruturas da Sabesp foram registradas nos últimos meses na Grande São Paulo. Em setembro de 2025, uma moradora morreu após uma tubulação da Sabesp cair sobre uma casa em Mauá, no ABC Paulista. Segundo testemunhas, a estrutura atingiu o imóvel durante uma obra. Já em março deste ano, o rompimento de uma caixa d’água da companhia destruiu casas em Mairiporã, na Grande São Paulo. Uma pessoa morreu e moradores relataram momentos de desespero durante a enxurrada provocada pela força da água. O secretário-geral do Sintaema, Edison Flores Lima Filho, atribuiu os acidentes ao aumento da terceirização e à redução do quadro de funcionários após a privatização da companhia. “Antes da privatização, nós estávamos com cerca de 15,5 mil trabalhadores. Hoje estamos com cerca de 8,3 mil de mão de obra direta”, afirmou. Segundo ele, houve perda de trabalhadores experientes e aumento da pressão sobre as equipes. GIF - novo vídeo de explosão no Jaguaré, em SP Reprodução Questionada pelo g1, a Sabesp afirmou que “não tolera qualquer descumprimento das regras de segurança do trabalho” e disse que atua “com rigor na apuração de cada caso”. A companhia informou que, no caso de Mauá, as apurações preliminares indicaram que a tubulação “se soltou durante o içamento” realizado por uma empresa terceirizada. A Sabesp afirmou ainda que rescindiu o contrato com a prestadora responsável pela obra. Sobre o caso de Mairiporã, a empresa disse que as causas ainda são investigadas e que acompanha, junto à terceirizada responsável pelo reservatório, o pagamento de indenizações relacionadas à vítima. A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) informou que acompanha permanentemente os serviços prestados pela Sabesp e afirmou que realizou mais de 1,1 mil ações fiscalizatórias desde a desestatização da companhia, em julho de 2024. Segundo a agência, a Sabesp recebeu 37 autuações em 2024, que somaram R$ 250,7 milhões em multas. Em 2025, foram aplicadas 15 autuações, no valor de R$ 232 milhões. Já em 2026, a Arsesp informou ter aplicado 20 autuações, totalizando R$ 26 milhões. Sobre o acidente de Mauá, a Arsesp informou que aplicou multa de R$ 155,7 mil à concessionária. No caso de Mairiporã, a agência afirmou que o relatório técnico ainda está em elaboração. Em relação à explosão no Jaguaré, a Arsesp disse que equipes de fiscalização acompanham o caso e realizam levantamentos técnicos para subsidiar eventual adoção de medidas. Morte de trabalhador e trem andando com portas abertas: MP abre inquérito para investigar falhas na ViaMobilidade em SP Casos ligados à ViaMobilidade A ViaMobilidade também registrou mortes em episódios ligados à operação e manutenção das linhas concedidas à empresa. Em maio de 2025, um passageiro, Lourivaldo Ferreira Nepomuceno, morreu na Linha 5-Lilás após ficar preso entre o vão e a porta da plataforma da estação Campo Limpo. Um ano após o caso, investigação conduzida pelo Metrô de São Paulo não detalhou publicamente possíveis falhas relacionadas. Questionado pelo g1, o Metrô informou que, após a sindicância, “as medidas administrativas necessárias para a melhoria dos processos foram adotadas”. Já em maio deste ano, um funcionário da ViaMobilidade morreu após sofrer uma descarga elétrica durante manutenção na Linha 9-Esmeralda na capital paulista. Outro caso ocorreu em novembro de 2025, quando um trabalhador morreu durante manutenção em um trem no pátio Presidente Altino, em Osasco, na região metropolitana. O g1 procurou a ViaMobilidade na terça-feira (12) questionando os protocolos de segurança para trabalhadores e clientes que utilizam o serviço da empresa, mas a concessionária não respondeu até a última atualização desta reportagem. Nesta semana, o Ministério Público (MP) instaurou um inquérito para investigar uma série de falhas recentes nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, operadas pela concessionária ViaMobilidade. Entre os episódios analisados estão a morte de um funcionário durante uma manutenção na semana passada, um trem circulando com as portas abertas e outros problemas operacionais registrados recentemente nas duas linhas. É o segundo inquérito aberto pelo MP desde o início da concessão das linhas, há quatro anos. Trem da ViaMobilidade opera a Linha 9-Esmeralda na região metropolitana de São Paulo em 08/06/2023. WILLIAN MOREIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO O que diz a Artesp A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) informou que fiscaliza continuamente falhas, incidentes e acidentes de trabalho nos sistemas concedidos e que solicita relatórios técnicos detalhados às concessionárias após ocorrências. Segundo a agência, desde o início da concessão, em 2022, foram instaurados processos sancionatórios contra a ViaMobilidade que somam mais de R$ 200 milhões em penalidades. A Artesp afirmou ainda que os contratos de concessão estabelecem obrigações específicas relacionadas à segurança dos trabalhadores e responsabilização da concessionária em caso de acidentes. A agência também informou que “toda a Linha 5-Lilás conta com portas de plataforma”.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/15/sabesp-registra-4-mortes-em-acidentes-ligados-a-obras-e-estruturas-desde-2025-viamobilidade-teve-3-casos.ghtml


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