Policiais civis recebiam R$ 1 mil para evitar lacração de bar irregular no interior de SP, diz PM
20/02/2026
(Foto: Reprodução) PM explica como policial civil tentou atrapalhar fiscalização em bar de Ribeirão Preto
Os policiais civis de Ribeirão Preto (SP) condenados por usar uma viatura oficial fora do horário de trabalho e tentar atrapalhar a fiscalização em um bar da cidade em 2019 afirmaram que recebiam R$ 1 mil para evitar a lacração do estabelecimento.
A informação consta no depoimento de Francisco Carlos Wohnrath Monteiro, que à época era tenente da Polícia Militar e participou da fiscalização.
Joas Schneider de Mattos e Alexandro Gomes Ângulo foram condenados pelo crime de improbidade administrativa pela 2ª Vara da Fazenda Pública e perderam o cargo (veja abaixo).
"O PC Pirata [apelido de Alexandro] iniciou uma conversa 'estranha' e intimidatória com o declarante [Francisco], cujo conteúdo era no sentido de: 'então, não dá para aliviar a situação, pois eu trabalho com o dono do local e recebo R$ 1 mil para evitar as lacrações, sabe como é que é, melhor receber dessa forma do que roubar'", diz trecho do depoimento.
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Já o policial militar Bruno Henrique Lázaro, que também participou da fiscalização, afirmou que os policiais civis causaram confusão ao tentar impedir a ação.
"Eles queriam impedir nossa ação, daí teve um entreveiro. Dava para ver que eles estavam armados. Impediram a gente de tirar as caixas de som, juntamente com a prefeitura", destacou.
Em nota, a defesa de Alexandro Gomes Ângulo informou que vai recorrer da decisão, que é de primeira instância. Ângulo já está preso por dirigir um carro com sinais de embriaguez e matar uma mulher na Rodovia Anhanguera (SP-330), em Ribeirão Preto em 2023.
A defesa de Joas Schneider de Mattos ainda não havia se pronunciado até a publicação desta notícia.
A reportagem procurou a Secretaria de Segurança Pública do estado, mas não teve uma resposta.
Policial civil disse a PMs que receberia R$ 1 mil para evitar lacração de bar em Ribeirão Preto
Reprodução
Uso de viatura para impedir fiscalização
Segundo o Ministério Público, o caso que levou à denúncia ocorreu em 1º de fevereiro de 2019.
Segundo a acusação, mesmo de folga, os dois policiais civis usaram viatura, o armamento da corporação e o combustível custeado com dinheiro público para se dirigir a um estabelecimento na Avenida Cásper Líbero, no Parque Ribeirão, zona oeste da cidade.
O objetivo, segundo a Promotoria, era tentar impedir que as autoridades locais apreendessem equipamentos sonoros e a interdição do local, que funcionava de forma irregular como casa de eventos e atrapalhando a vizinhança com barulho.
No entendimento da Justiça, além de agirem em prol do interesse privado do proprietário do estabelecimento, eles causaram prejuízo aos cofres públicos. A sentença ainda destaca que a conduta dos réus se demonstrou reprovável diante do que é previsto pela moralidade administrativa.
"Em vez de garantidores da lei, tornaram-se, naquele momento, patrocinadores da ilegalidade e da desordem, utilizando o aparato estatal (viatura e distintivo) para intimidar fiscais que cumpriam seu dever."
Além da perda da função pública, os policiais civis tiveram direitos políticos cassados por cinco anos, foram condenados a ressarcir gastos aos cofres públicos e custas processuais.
Alexandro Gomes Ângulo, um dos policiais civis acusados de usar viatura para tentar impedir fiscalização em bar de Ribeirão Preto (SP).
Reprodução/EPTV
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