Polícia investiga denúncia de racismo contra porteiro em escola particular de Campinas, e MPT apura conduta da instituição

  • 11/02/2026
(Foto: Reprodução)
'Negro sujo e macaco': porteiro de colégio denuncia racismo de alunos em Campinas A Polícia Civil abriu investigação para apurar a denúncia de racismo feita pelo ex-porteiro Rodnei Ferraz, que afirma ter sido chamado de "negro sujo", "macaco" e "sub-raça" por estudantes de uma escola particular de Campinas (SP). De acordo com o delegado Rubens Leal, da Delegacia da Infância e Juventude, a corporação aguarda informações da escola para identificar oficialmente os adolescentes envolvidos e instaurar um Procedimento de Apuração de Ato Infracional (PAAI). 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp 🔎 Entenda: como os envolvidos são adolescentes, a investigação não segue o procedimento tradicional, chamado de inquérito. Em vez disso, é instaurado um PAAI, específico para apurar atos infracionais cometidos por menores de 18 anos. Após a conclusão, o caso é encaminhado à Vara da Infância e Juventude, que avalia as medidas a serem adotadas. Paralelamente, o Ministério Público do Trabalho (MPT) informou nesta quarta-feira (11) que instaurou um procedimento para apurar a conduta da escola diante da denúncia de racismo feita pelo trabalhador, que relata ter sido demitido após o episódio. O Colégio Objetivo Barão Geraldo informou, em nota, que repudia qualquer ato de racismo e todo tipo de preconceito, que a demissão de Rodnei não teve relação com o caso e que "atitudes indisciplinares de alunos são analisadas com rigor e proximidade". Veja a nota completa clicando AQUI. 'Educação vem de berço': porteiro diz ter se sentido constrangido ao ser chamado de 'negro sujo' por alunos de escola particular em Campinas 'Me senti muito constrangido' O g1 teve acesso ao boletim de ocorrência na terça-feira (10). A vítima conta que foi xingada por três adolescentes do ensino médio que estavam na unidade para fazer provas de recuperação. "A educação vem de berço e, naquele momento, eu me senti muito constrangido", desabafou Rodnei. Segundo o registro policial, o caso aconteceu no dia 15 de dezembro, na unidade localizada no distrito de Barão Geraldo. O trabalhador relatou que os estudantes passaram a fazer barulho e a entrar repetidamente em um banheiro, quando ele resolveu chamar a atenção. "Eles estavam fazendo muita baderna, um entra e sai constante, e nisso eles entraram num banheiro e dentro do banheiro começou uma gritaria, e eu chamando a atenção. (...) Mas aí ele chegou e falou: 'eu pago o seu salário, você é um sub-raça, um negro sujo e um macaco'", disse. Com 20 anos de experiência na área, ele estava na unidade há quatro meses. "Eu dei um choque e chamei minha rendição para me render, para não ficar perto dessas crianças, que eles chamam de criança, mas com 17, 16 anos, acho que já tem uma visão”, disse. O episódio ocorre em meio ao aumento de denúncias de racismo no estado. Dados do Disque 100 apontam que São Paulo registrou 1.088 denúncias em 2025, alta de 20,2% em relação a 2024. Em Campinas, foram 26 registros no ano passado — pouco mais de duas por mês. O que diz o Colégio Objetivo "O Colégio Objetivo Barão Geraldo repudia qualquer ato de racismo e todo tipo de preconceito. Os valores da escola estão respaldados na formação humana, tratada como um importante pilar no desenvolvimento dos alunos. Trabalhos assíduos são realizados, desde a Educação Infantil, até o Ensino Médio, para a construção e o fortalecimento de princípios como respeito, empatia, convivência e responsabilidade social em diversas disciplinas e eventos. Atitudes indisciplinares de alunos são analisadas com rigor e proximidade. Em ações que desrespeitam regras, seguimos o nosso regimento interno em que, dependendo de cada situação, o aluno pode receber uma advertência, suspensão ou até mesmo expulsão, se constatado a necessidade e respeitado o caráter pedagógico. Em relação ao fato objeto da matéria jornalística, a escola faz os seguintes esclarecimentos: Rodnei Ferraz trabalhava como porteiro na unidade desde o dia 1/8/2025; O tema foi tratado com extrema cautela, profunda atenção e seriedade uma vez que envolve menores de idade, por isso, a escola fez contato com os alunos envolvidos, colaboradores e com as famílias; A acusação do funcionário foi apurada internamente, tendo os alunos negado a prática de qualquer ato racista; O desligamento do funcionário não teve qualquer ligação com os fatos. Reforçamos nosso papel social e empenho em lidar com a situação de forma ética e com profissionalismo. A escola está contribuindo com as autoridades competentes". O porteiro Rodnei Ferraz procurou a Polícia Civil para denunciar um caso de racismo ao ser ofendido por estudantes de uma escola particular de Campinas (SP) Reprodução/EPTV VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/02/11/policia-investiga-denuncia-de-racismo-contra-porteiro-em-escola-particular-de-campinas-e-mpt-apura-conduta-da-instituicao.ghtml


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