Polícia Civil prende três suspeitos em operação contra quadrilha que aplicava golpes bancários em idosos em SP
08/04/2026
(Foto: Reprodução) Polícia prende três suspeitos em operação contra quadrilha que aplica golpes em idosos
A Polícia Civil realiza, na manhã desta quarta-feira (8), a uma nova operação para combater uma organização criminosa especializada em estelionatos contra clientes de instituições financeiras, principalmente idosos, na capital paulista.
Até as 07h30, ao menos três suspeitos já tinham sido presos. Com eles foram apreendidos vários celulares, que serão periciados.
Os três detidos foram identificados como Maycon Costa Campos Pinto, Raphael de Almeida Santos e Bruno dos Santos Soares.
A Justiça de São Paulo autorizou o cumprimento de cinco mandados de prisão temporária e sete mandados de busca e apreensão e a chamada 'Operação Golpe Bancário' é conduzida por policiais da 2ª Delegacia contra Crimes de Estelionato, do Departamento de Investigações Criminais (Deic).
De acordo com as investigações, os criminosos obtinham dados cadastrais das vítimas e, em seguida, faziam contato por meio de uma falsa central telefônica. O esquema utilizava um software capaz de manter a linha telefônica retida.
Polícia Civil prende três suspeitos em operação contra quadrilha que aplicava golpes bancários em idosos em SP
Reprodução/TV Globo
Durante a ligação, a vítima era orientada a desligar e ligar para o número que constava no próprio cartão bancário, o que aumentava a credibilidade do golpe. No entanto, mesmo após encerrar a chamada, a linha permanecia ativa, e a vítima continuava falando com integrantes do grupo criminoso.
Na sequência, um terceiro suspeito atendia a ligação, se passando por funcionário do banco, e conseguia acesso a todas as informações bancárias da vítima, incluindo a senha.
Para concluir o golpe, os criminosos enviavam um motoboy até o endereço da vítima para recolher o cartão bancário, sob a justificativa de que ele seria encaminhado para perícia e que os valores subtraídos seriam posteriormente estornados.
Além dos crimes de estelionato e organização criminosa, os investigadores também apuram um caso de latrocínio tentado relacionado à atuação do grupo.
O que dizem as partes
Por nota, a advogada de defesa de Bruno dos Santos Soares disse que, “até o presente momento, não teve acesso integral aos autos do procedimento investigatório que motivou a decretação da prisão temporária”.
“Ressalta-se que a prisão temporária possui natureza excepcional, sendo medida voltada exclusivamente à garantia das investigações, não podendo ser interpretada como antecipação de culpa”, disse.
“A defesa está adotando todas as providências cabíveis para obtenção de acesso aos elementos informativos, a fim de exercer, de forma plena, o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa, assegurados pelo Constituição Federal. Após a análise integral do caso, serão adotadas as medidas judiciais pertinentes, inclusive quanto à revisão da necessidade e legalidade da custódia”, afirmou.
Já a defesa de Raphael de Almeida Santos afirmou que “o mesmo já havia sido absolvido pela Justiça, após regular tramitação do processo, com reconhecimento da ausência de provas que sustentassem qualquer condenação”.
“Causa estranheza e preocupação o fato de, mesmo após decisão absolutória, Rafael ter sido novamente privado de sua liberdade, em evidente afronta aos princípios do devido processo legal e da segurança jurídica. A defesa já está adotando todas as medidas cabíveis para restabelecer a liberdade de Rafael, confiando que o Poder Judiciário irá corrigir essa grave ilegalidade com a urgência que o caso exige”, declarou.
A defesa do acusado também diz que Raphael “é inocente, conforme já reconhecido judicialmente, e que não se pode admitir a perpetuação de constrangimentos ilegais contra um cidadão absolvido”.
“A defesa seguirá firme na garantia dos direitos e na preservação da justiça”, declarou.
O advogado de defesa de Maycon Costa Campos Pinto afirmou que ele também “já foi regularmente investigado, processado e julgado pela Segunda Vara de Bragança Paulista, tendo sido absolvido por ausência de provas de autoria, conforme decisão judicial devidamente fundamentada”.
“Dessa forma, causa preocupação a adoção de nova medida constritiva baseada em fatos já analisados, o que pode configurar afronta a garantias fundamentais, especialmente ao princípio do ne bis in idem, que veda a dupla persecução penal pelos mesmos fatos. A defesa reitera sua confiança no Poder Judiciário e informa que adotará todas as medidas legais cabíveis para assegurar o pleno respeito às decisões judiciais já proferidas, bem como aos direitos e garantias fundamentais do Sr. Maycon”, declarou.