Pesquisadores do interior de SP testam medicamento que pode aumentar qualidade de rins destinados para transplante

  • 13/01/2026
(Foto: Reprodução)
Pesquisadores da Famerp, em São José do Rio Preto (SP), testam medicamento que pode aumentar qualidade de rins para transplante Famerp/Divulgação Pesquisadores da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) realizam um estudo com um medicamento que pode aumentar a qualidade de rins destinados para transplante. O estudo foi reconhecido como o melhor trabalho científico no Congresso Latino-Americano de Transplantes, realizado em outubro de 2025, no Paraguai. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp A pesquisa, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e realizada em parceria com o University Medical Center Groningen, na Holanda, busca melhorar a qualidade dos órgãos. Segundo o professor Mário Abbud Filho, coordenador do estudo, os rins sofrem inflamações quando estão fora do corpo, o que eleva o risco de complicações e faz com que sejam frequentemente descartados. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "O objetivo é empregar o medicamento anakinra, já aprovado no Brasil, considerado seguro e integrado à prática médica para melhorar as condições do órgão antes do transplante", afirma Mário ao g1. A bióloga Ludimila Leite Marzochi, doutoranda em ciências da saúde pela Famerp, explica que o propósito é "tratar o rim fora do corpo antes do transplante", usando o medicamento para reduzir a inflamação do órgão. A ideia surgiu diante da alta taxa de descarte de rins no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), mais de 30 mil pessoas aguardam por um transplante renal. Apesar do aumento na captação, cerca de 30% dos rins de doadores falecidos são descartados anualmente por não atenderem aos critérios pré-estabelecidos para a realização do procedimento. Com base nesse cenário, estima-se que a estratégia possa viabilizar o uso de 20% a 30% dos rins atualmente considerados inadequados. Initial plugin text A professora Heloísa Cristina Caldas, do Programa de Pós-Graduação da Famerp, que também é coordenadora do estudo, destaca que a pesquisa foi aprovada por seu potencial de impactar positivamente a fila de espera de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). "Em escala nacional, isso pode representar centenas de transplantes renais adicionais por ano, com impacto direto na redução da fila de espera. Com o uso associado a máquinas de perfusão, esse efeito tende a ser ainda maior, pois essas tecnologias ampliam a capacidade de recondicionamento e avaliação objetiva dos órgãos", afirma a professora Heloísa. Estratégia aplicada à realidade do SUS Outro ponto relevante é a adequação da pesquisa à realidade do SUS. O estudo prevê, a longo prazo, a associação do medicamento a máquinas de perfusão, que mantêm o órgão viável fora do corpo do doador. Segundo os pesquisadores, com o avanço da tecnologia, o uso do anakinra poderá ser integrado à rotina dos hospitais públicos, ampliando os benefícios à população. Após a comprovação de eficácia e segurança em seres humanos, a expectativa é de um intervalo de três a cinco anos para a incorporação na rede pública de saúde, incluindo validação clínica, análise de custo-efetividade e aprovação regulatória. Atualmente, a pesquisa é realizada em suínos, pois ainda está em fase experimental. Ao longo de 2026, estão previstos testes em um centro de pesquisa nos Estados Unidos, utilizando rins humanos descartados para transplante. Ludimila destaca que o medicamento pode ter potencial para preservar outros órgãos, como fígado, coração e pulmão, em indicações de transplante. "A inflamação mediada no nosso estudo é um mecanismo comum na lesão de diferentes órgãos. Sendo assim, há um potencial claro de expansão da estratégia para outros transplantes, desde que sejam realizados estudos específicos para cada órgão", finaliza a pesquisadora. Pesquisa da Famerp de São José do Rio Preto (SP) é reconhecida como o melhor trabalho científico no Congresso Latino-Americano de Transplantes Famerp/Divulgação *Colaborou sob supervisão de Henrique Souza Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2026/01/13/pesquisadores-testam-medicamento-que-pode-aumentar-qualidade-de-rins-destinados-para-transplante.ghtml


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