Pesquisa avalia cultivo de cacau no oeste paulista e vê potencial de renda para pequenos produtores
12/04/2026
(Foto: Reprodução) Pesquisa avalia cultivo de cacau no oeste paulista e vê potencial de renda para produtores
O cacau, matéria-prima do chocolate, pode ganhar espaço no oeste paulista. Uma pesquisa desenvolvida em Presidente Prudente (SP) busca avaliar se o clima da região é adequado para o cultivo do cacaueiro e prevê a produção de cerca de 2 mil mudas para plantios experimentais.
O estudo é realizado pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), que iniciou a retirada de sementes de frutos de três variedades de cacau. O material foi enviado de uma propriedade rural em José Bonifácio (SP), na região de São José do Rio Preto (SP).
📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp
As sementes das variedades CNN 51, BN 34 e OS 1319 serão utilizadas na produção de mudas no Viveiro de Mudas da universidade, em uma área experimental do campus 2. A atividade também conta com a participação de alunos envolvidos em pesquisas na área de agronomia.
"Essas são as variedades mais plantadas na região de São José do Rio Preto, onde já existem áreas com plantios comerciais, e, por ter um clima parecido com o nosso, acreditamos que também irá bem na nossa região", explica ao g1 o professor doutor Marcelo Rodrigues Alves, responsável pela produção de mudas.
Atualmente, o noroeste paulista e o Vale do Ribeira concentram as principais áreas de produção de cacau em São Paulo.
Pesquisadores de Presidente Prudente (SP) adquiriram frutos em José Bonifácio (SP) para a retirada de sementes
Homéro Ferreira/Unoeste
Testes de produção
Segundo os pesquisadores, testes preliminares já permitiram a produção de algumas mudas, que atualmente têm cerca de seis meses de desenvolvimento. Agora, a expectativa é ampliar a produção e iniciar plantios experimentais tanto no campus quanto em propriedades rurais do Pontal do Paranapanema.
A germinação das sementes ocorre entre cinco e 10 dias, enquanto a formação completa da muda leva cerca de seis meses.
Parte das plantas também deve chegar a produtores rurais por meio do programa de extensão Pequena Propriedade Produtiva e Sustentável (PPPS).
Cultivo do cacau
O professor doutor Marcelo explica ao g1 que o custo médio do plantio de cacau para produtores é de R$ 30 mil por hectare. No entanto, esse valor pode variar conforme o manejo adotado e o tipo de cultura plantada em consórcio, e boa parte do investimento é destinada à aquisição das mudas e ao sistema de irrigação necessário para o cultivo.
Segundo o especialista, esse custo é referente ao primeiro ano de produção. Nos dois anos seguintes, o valor estimado cai para R$ 10 mil por hectare, investidos em tratos culturais e adubação.
Para a fase adulta do cacau, ou seja, quando ele já está produzindo, estima-se um custo anual com mão de obra e manejo de aproximadamente R$ 20 mil por hectare. "Mas tudo isso são estimativas que dependem do cenário econômico, região, manejo e etc.", destaca.
Apesar de o cacaueiro começar a produzir frutos cerca de dois anos após o plantio, as colheitas comerciais só começam a partir de quatro anos de cultivo.
Caso a produção avance no oeste paulista, a produtividade média esperada é de uma tonelada de amêndoas secas por hectare ao ano. "Mas essa produtividade pode ser maior e chegar a algo em torno de três toneladas, se realizado um manejo adequado, com boa adubação e irrigação", afirma ao g1.
A inserção da cultura na região pode ser uma alternativa para assentamentos rurais. O professor destaca que o cultivo pode ser realizado em áreas consideradas pequenas, inclusive com menos de um hectare.
"Do fruto do cacau se aproveita tudo: casca para produção de ração animal ou compostagem, polpa para produção de suco ou licores, amêndoas para produção do chocolate; e isso é importante para pequenos produtores", ressalta.
Outro fator que Marcelo destaca ao g1 é que o cacau pode ser cultivado em sistemas consorciados, ou seja, junto a outras plantações, como em sistemas agroflorestais, por exemplo, gerando renda ao produtor.
"Ele pode, e deve [ser cultivado], principalmente com espécies que vão oferecer um sombreamento para o cacau nos primeiros anos de vida. É muito comum aqui no estado de São Paulo o cultivo consorciado com bananeiras, que ajudam no sombreamento e também ajudam como quebra-vento", diz.
Conforme Marcelo, o cacau tem uma boa fluidez de mercado, ainda mais porque as amêndoas podem ser armazenadas para comercialização em maior quantidade ou em épocas mais favoráveis. "É fato que ter uma cadeia maior de produção auxilia na negociação para escoar a produção. Entretanto, mesmo que em poucos, não é difícil a comercialização", continua.
Muda de cacaueiro produzida em teste preliminar de germinação
Homéro Ferreira/Unoeste
Pesquisas
Sobre as produções científicas, Marcelo explica que Juan Victor Oliveira desenvolve dissertação no mestrado do Programa de Pós-graduação em Agronomia (PPGA) sobre o uso de biochar de lodo de esgoto em pó de rocha na produção de mudas de cacaueiro.
Outro estudo avalia a germinação de espécies em diferentes substratos, desenvolvido no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do estudante Leonardo Henrique Xavier da Silva.
Conforme o professor doutor Marcelo, neste momento as mudas serão utilizadas apenas para fins de pesquisa. O grupo estuda, além da planta, produtos que possam auxiliar no desenvolvimento inicial do cacaueiro, assim como diferentes formas de germinação das sementes.
"Depois queremos formar alguns bosques de cacau dentro das nossas áreas de pesquisa. Assim, nosso objetivo maior é criar conhecimento sobre o assunto para transmitir aos produtores e, não, as mudas em si", afirma.
A pesquisa tem um cronograma estimado em dois anos, dos quais um já foi concluído com a produção dos produtos. Agora, após a aquisição das sementes, será realizado o plantio e, em cerca de 90 dias, os primeiros testes.
A proposta dos pesquisadores é avaliar o potencial de expansão da cultura para outras regiões do interior paulista com clima quente e disponibilidade de água, como as regiões administrativas de Bauru (SP) e Araçatuba (SP).
Caso os resultados sejam positivos, o cultivo do cacau poderá representar uma nova alternativa econômica para pequenos produtores, inclusive agricultores familiares e moradores de assentamentos rurais.
Initial plugin text
Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região
VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM