'Partido da Geração Z' pede aval, mas Milton Leite diz que não vai liberar vereadora com mais de 35 anos para disputar Senado por SP

  • 07/03/2026
(Foto: Reprodução)
A vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil) e o líder do partido em SP, Milton Leite Lucas Bassi/Câmara Municipal de SP e Larissa Navarro/Alesp Novo no cenário eleitoral, o partido Missão afirma querer representar eleitores mais jovens. Mas a própria juventude de seus quadros pode se tornar um obstáculo na disputa de outubro: devido ao limite mínimo de idade exigido para alguns cargos, a legenda corre o risco de não ter candidato ao Senado por São Paulo, por exemplo. A Constituição define que, para os cargos de senador, presidente e vice-presidente, a idade mínima é de 35 anos. A intenção da legenda, nascida do Movimento Brasil Livre (MBL), é lançar a vereadora Amanda Vettorazzo, de 37 anos, que atualmente está no União Brasil. Parlamentares paulistas da legenda em esferas maiores são mais novos: o deputado federal Kim Kataguiri tem 30 anos, e o deputado estadual Guto Zacarias, 26. Kim é pré-candidato a governador do estado, e Guto, a deputado federal. Ambos estão de saída do União Brasil, para concorrerem pela Missão. A saída de Amanda, porém, depende da bênção de Milton Leite, líder histórico do partido no estado, e presidente da Câmara da capital durante toda a legislatura passada (2021-2024). Ao g1, ele disse que "o partido não vai liberar" a desfiliação da vereadora. 🔎A janela partidária que começou nesta quinta-feira (5) só vale para os cargos de deputados federais, estaduais e distritais, que estão em disputa neste ano. Amanda é vereadora. Como está no meio do mandato, poderia ter o cargo pleiteado pelo União Brasil se saísse sem autorização do partido, o que configura infidelidade partidária. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Coordenadora nacional do MBL e com cerca de 1,2 milhão de seguidores no Instagram, sua principal rede social, Amanda Vettorazzo é hoje uma das poucas lideranças ligadas ao movimento que cumprem o requisito constitucional de idade mínima para disputar o Senado. “É um cargo com muita prerrogativa, muito importante. Se eu conseguir pleitear o Senado, é de fato uma responsabilidade muito grande”, afirmou ao g1 antes da manifestação de Leite. Uma reunião entre os dois está prevista para as próximas semanas. Para Amanda, o Senado tem papel estratégico em um dos objetivos centrais da Missão, que é influenciar politicamente as próximas gerações, justamente por ter mandatos mais longos e por ser uma instância voltada a decisões de longo prazo. “Elaborar políticas públicas não para a próxima eleição, já que o mandato é de oito anos, mas para a próxima geração”, diz. A vereadora também disse que levaria à campanha um discurso de defesa institucional de São Paulo e de maior protagonismo do estado nas decisões nacionais, além do controle sobre outros Poderes. "É função do senador também combater algumas atribuições e decisões abusivas do STF”, afirma. Vereador por quase três décadas, Milton Leite deixou a Câmara em 2025, mas continua sendo um dos políticos mais influentes de São Paulo e mantém o comando do Diretório Municipal do União Brasil. Nem mesmo denúncias de ligação com a empresa de ônibus Transwolff, investigada por suspeita de conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC), abalaram seu poder. Geração Z Para Kim Kataguiri, o empecilho da idade não é problema, uma vez que está em consonância com a intenção do partido de ter quadros jovens e de gerar identificação com o eleitor mais novo. "A nossa ideia é ser um partido da geração Z [nascidos entre 1997-2012]. Naturalmente, geração Z não terá idade para disputar a eleição para o Senado ou para a Presidência [neste momento]. A maioria esmagadora dos nossos quadros é Z, no máximo Millenial [nascidos entre 1981-1996]. É natural que a gente, representando mais essa parcela da população, tenha menos quadros que tenham a idade para disputar esses cargos." O deputado federal Kim Kataguiri, pré-candidato ao governo de SP pela Missão Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados Em 2024, Kim lançou a pré-candidatura a prefeito de São Paulo com aval da direção nacional do União Brasil. A candidatura, porém, não foi levada a cabo justamente porque Milton Leite preferiu apoiar a reeleição de Ricardo Nunes (MDB). "O meu relacionamento é muito mais com a bancada federal do que com o Milton, os quadros aqui de São Paulo. Eu saio [do União] muito tranquilamente", afirma Kim. Sobre apoiar candidatos de outros partidos caso não consigam a liberação de Amanda Vettorazzo, o parlamentar é taxativo. "Não existe nenhuma hipótese de a gente apoiar nome de outro partido. Ou a gente encontra uma alternativa ou a gente não apoia ninguém. Todas as candidaturas pelo país são isso." Além do já pré-candidato à Presidência, Renan Santos, de Kim Kataguiri para o governo de São Paulo, Amanda Vettorazzo para o Senado e Guto Zacarias para a Câmara dos Deputados, a Missão pretende lançar também o subprefeito da Vila Mariana, Rafael Minatogawa, para a disputa de um cargo na Assembleia Legislativa do Estado de SP (Alesp).

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/07/partido-da-geracao-z-pede-aval-mas-milton-leite-diz-que-nao-vai-liberar-vereadora-com-mais-de-35-anos-para-disputar-senado-por-sp.ghtml


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