O que se sabe sobre golpe milionário de quadrilha que se passava por empresas para enganar fornecedores

  • 10/04/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia investiga quadrilha que usava nome de empresas do agro para aplicar golpes A Polícia Civil deflagrou esta semana uma força-tarefa contra uma quadrilha que usava dados de empresas reais para enganar fornecedores no interior de São Paulo. Segundo as investigações da Operação "Arara Caipira", o prejuízo causado às vítimas é de pelo menos R$ 2 milhões. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Limeira (SP) e em Ribeirão Preto (SP), cidade apontada pelos agentes como o centro do esquema criminoso e de onde é o homem apontado como o líder das fraudes, não encontrado durante as diligências. "Os golpistas, extremamente organizados e estruturados, utilizavam dados verdadeiros de empresas idôneas para realizar pedidos como se fossem essas empresas", afirma o delegado Fernando David de Melo Gonçalves, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo. Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp A seguir, veja o que se sabe sobre a operação e as fraudes apuradas: Como funcionava o golpe praticado pela quadrilha? A Operação "Arara Caipira", uma alusão a golpes de compras faturadas utilizando dados de instituições reais, foi realizada pela Polícia Civil na quinta-feira (9) contra uma organização criminosa que se passava por representantes de empresas para enganar fornecedores. Polícia mirou quadrilha que usava empresas para enganar fornecedores em Ribeirão Preto Polícia Civil Os criminosos utilizavam o CNPJ e a razão social de empresas reais, principalmente de informática e agropecuária, para abrir cadastros e obter crédito. Para conferir legitimidade às fraudes, eles criavam domínios de e-mail e contas em aplicativos de mensagens muito parecidos com os originais. Além disso, eles compravam produtos a prazo, recebiam a mercadoria em locais de difícil identificação e não pagavam os boletos. "Tudo isso foi entregue em endereços que eram normalmente lotes, locais que não eram identificáveis, porque uma empresa contratada de transporte de carga ia até o local, buscava e aí sim levava para o destino, que era o destino dos golpistas." Qual o valor do prejuízo causado pelos criminosos? As investigações identificaram um prejuízo de ao menos R$ 2 milhões, referente a apenas duas vítimas, empresas de porte médio e grande. Apesar disso, a polícia acredita que o valor total e o número de empresas lesadas podem ser muito maiores. A quadrilha tinha um perfil de compras variado, adquirindo desde aparelhos eletrônicos, como computadores, e equipamentos de ar-condicionado, até maquinários pesados, como tratores. "Nós entendemos que o esquema fraudulento é maior e nós estamos tentando identificar mais vítimas, porque eles emitiam pagamento em boleto de 30 a 60 dias e durante esses 30, 60 dias, eles usavam o nome da empresa idônea para ir comprando mercadorias, adquirindo e desviando mercadorias." LEIA TAMBÉM Quadrilha que se passava por empresas para enganar fornecedores causou prejuízo de R$ 2 milhões a duas vítimas Polícia faz buscas contra quadrilha que usava empresas para enganar fornecedores no interior de SP Onde a operação foi realizada e o que foi apreendido? Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão. Sete foram em Ribeirão Preto (SP) e dois, em Limeira (SP). A Polícia Civil apreendeu notebooks, roteadores, cartões bancários e cheques, além de bloquear judicialmente quatro veículos que somam R$ 500 mil. Ninguém foi preso durante a ação. O suspeito de chefiar o grupo foi identificado, mas não foi encontrado em casa. Segundo as autoridades, ele está no exterior, mas não é considerado foragido. Como a Polícia Civil descobriu o esquema? A investigação começou após empresas reais receberem cobranças de fornecedores por compras que nunca haviam realizado. Por meio de quebra de dados telemáticos, os investigadores conseguiram rastrear os acessos digitais e localizar onde os criminosos operavam, identificando o alto grau de profissionalismo e a divisão de tarefas do grupo. Objetos apreendidos de quadrilha que se passava por empresas para enganar fornecedores Reprodução/EPTV Quais crimes são investigados e os próximos passos da Polícia Civil? Os alvos da operação respondem inicialmente por estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa, mas o delegado do Deic acredita que isso possa mudar com o avanço das investigações. Um dos objetivos, a partir de agora, é entender a participação de outras pessoas no esquema. "Entendemos que a associação criminosa pode ser na verdade uma organização criminosa. Nós estamos tentando achar os núcleos desse grupo, porque achamos o pivô, mas nós vamos entender qual é a conexão dele principalmente no exterior, local onde ele está, se ele tem, e sabemos que ele tem, algumas empresas no nome dele e essas empresas vão ser investigadas." Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/04/10/o-que-se-sabe-sobre-golpe-milionario-de-quadrilha-que-se-passava-por-empresas-para-enganar-fornecedores.ghtml


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