Novas conversas revelam negociação de propinas de até R$ 5 milhões para policiais civis de SP obstruírem investigação

  • 06/03/2026
(Foto: Reprodução)
Áudio cita propina de R$ 5 mi para encerrar investigação em SP Novas conversas em áudio e texto obtidas pela GloboNews mostram mais tratativas envolvendo advogados e doleiros para pagamento de vantagem indevida e propina em valores entre R$ 100 mil e R$ 5 milhões a policiais civis de São Paulo, alvos de buscas e prisões no âmbito da Operação Bazaar. A ação foi deflagrada na quinta-feira (5) em ação conjunta entre o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, a Polícia Federal e a Corregedoria-Geral da Polícia Civil. 🔎Os três órgãos realizaram a Operação Bazaar para prender pessoas suspeitas de integrarem um esquema de corrupção sistêmica e lavagem de dinheiro que ocorria dentro de departamentos estratégicos da Polícia Civil paulista. Propina de R$ 700 mil Em mais uma conversa usada pelos investigadores a partir da análise do material extraído de celulares, o advogado Guilherme Nasser fala o doleiro Cléber Azevedo dos Santos e negocia os pagamentos em propina para interromper a apuração em um inquérito policial. No áudio, o advogado afirma que não há apuração em aberto, apesar de um relatório de inteligência financeira (RIF) ter sido obtido pelo grupo com a finalidade de extorquir possíveis investigados. No diálogo, Nasser diz um escrivão chegou a pedir R$ 700 mil, o que foi negado pelo advogado, e que posteriormente chegaram ao valor de R$ 100 mil pela "boa relação" que tinha com os policiais. O advogado também diz que buscará ajuda do delegado João Eduardo da Silva, à época lotado no 16° Distrito Policial (Vila Clementino) de São Paulo. O delegado atua no 35° Distrito Policial (Jabaquara) e foi preso na operação nesta quinta-feira (5). “Dá um troquinho lá pros cara, tira aí cinquentinha do rodrigo, cinquentinha teu, aí dá cenzinha pros cara e acabou... mata na raíz! Porque não tem inquérito, não tem nada... e eu acho que isso aí eu vi o RIF dos cara lá e alguma coisa tem, entendeu!? Então se os caras quiserem pentelhar, vão encher o saco. Então, quando eu conversei com o escrivão, o escrivão falou também “ah é setecentos pau’ ... falei “cara, sai fora” e aí eu baixei pra um valor pequeno, entendeu? E foi um cenzão lá e aí ele falou “cara, beleza, porque é pra você!. É que eu conheço os caras lá, entendeu? O delegado, na verdade, é o doutor JOÃO, então, assim, cara, eu vou tentar conversar com eles lá, vou tentar dar uma matada nisto daí, tá?" Os promotores identificaram que nem a intimação, nem os relatórios do Coaf foram juntados aos autos do inquérito, e que não houve formal aos investigados, tratando-se de “investigação de gaveta” para obtenção de vantagem indevida. Segundo a investigação, as condutas de João Eduardo e do escrivão Ciro Borges Ferraz representam de modo bastante claro o formato de corrupção dos policiais civis. Mensagem falando na propina de R$ 5 milhões Reprodução Oferta de R$ 5 milhões Em outra conversa obtida pela Globonews, o advogado Guilherme Nasser conversa com o doleiro Robson Martins de Souza, outro investigado pelo Ministério Público de São Paulo. Em mensagens de texto e áudio, eles falam sobre a cobrança de R$ 5 milhões também no 16° Distrito Policial de São Paulo para barrar uma investigação que estava com o delegado João Eduardo da Silva. Robson Martins de Souza: "Boa tarde meu irmão tudo bem com você? O Dr João está esperando a sua ligação" Guilherme Nasser: "Fala, mestre, beleza? Sim, já tô agendado para ir lá no João, tá? Fica tranquilo. Tá, mas o que que eu vou ofertar? É aqueles cinco lá, é isso?" Robson Martins de Souza: "Isso mesmo 5 mais liga para ele por favor ele está esperando até hoje" A negociação de R$ 5 milhões aparece em outra parte da investigação em que o Paulo Rogério Silva, conhecido como Paulo Barão, confirma em mensagem que o valor foi "solicitado ao representante do grupo que compareceu à delegacia, o que exigiria que tentassem contato com alguém de lá". Paulo 'Barão' perguntou em um dos diálogos a Robson Martins de Souza quem conheceriam no 16º Distrito Policial, informando que "a investigação estaria com o delegado João”. O advogado Guilherme Nasser foi alvo de busca e apreensão na operação e teve medidas cautelares impostas pela Justiça. Em nota, ele informou que "a medida cautelar representa verdadeira intimidação à atividade da advocacia. Atuamos como advogado de alguns dos investigados exclusivamente no âmbito empresarial, ficando a representação criminal sob responsabilidade de outros advogados. Repudiamos qualquer caminho que não atenda estritamente a legalidade, inexistindo qualquer prova em contrário". João Eduardo da Silva, Ciro Borges Ferraz e Cléber Azevedo dos Santos foram presos pela Polícia Federal no âmbito da operação. A defesa do delegado João Eduardo da Silva e do escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz afirmou, também em nota, que ainda não teve acesso à íntegra dos documentos e elementos que compõem a investigação e que "à luz do princípio constitucional da presunção de inocência, qualquer ilação ou afirmação de culpa dirigida ao Dr. João ou ao Escrivão Ciro revela-se não apenas precipitada, mas também desprovida de fundamento" A GloboNews não havia localizado, até a última atualização desta reportagem, as defesas deles. Propina de R$ 50 mil para delegado Outro áudio obtido pela GloboNews mostra tratativas para pagamento de vantagem indevida e propina envolvendo advogados e policiais civis de São Paulo, alvos de buscas e prisões no âmbito da Operação Bazaar. Em uma das conversas que constam no relatório de análise do material extraído de celulares, o advogado Guilherme Nasser conversa com o doleiro Cléber Azevedo dos Santos e negociam o pagamento de R$ 50 mil em propina para interromper a apuração em um inquérito policial aberto em outubro de 2022. "Eu acho que uns 'cinquentinha' de um lado, 'cinquentinha' de outro, a gente consegue matar isso daí, entendeu? Eu acredito. Comigo eles não 'acharcam' porque esse delegado aí, eu conheço muito ele, tá? Ele deve muito pra mim. Então eu consigo tirar isso aí numa boa. Agora você tá falando que não teve? Porque eu vi o RIF [Relatório de Inteligência Financeira] lá. Já tem o RIF na mão." Em áudio, advogado negocia com doleiro propina para interromper inquérito Na mensagem de áudio, Nasser diz que não terá problemas na negociação pela boa relação que possui com um delegado. Segundo a investigação, se trata de João Eduardo da Silva, à época lotado no 16° Distrito Policial (Vila Clementino) de São Paulo. O delegado atua agora no 35° Distrito Policial (Jabaquara) e foi preso na operação na quinta-feira (5). Os promotores identificaram que nem a intimação nem os relatórios do Coaf foram juntados aos autos do inquérito, e que não houve formal aos investigados, tratando-se de “investigação de gaveta” para obtenção de vantagem indevida. Segundo a investigação, as condutas de João Eduardo e do escrivão Ciro Borges Ferraz representam de modo bastante claro o formato de corrupção dos policiais civis. Em outra conversa, Cleber menciona que, na mesma delegacia, já havia solicitado o pagamento de R$ 700 mil para interromper uma investigação. Nasser foi alvo de busca e apreensão na operação e teve medidas cautelares impostas pela Justiça. Em nota, ele informou que "a medida cautelar representa verdadeira intimidação à atividade da advocacia. Atuamos como advogado de alguns dos investigados exclusivamente no âmbito empresarial, ficando a representação criminal sob responsabilidade de outros advogados. Repudiamos qualquer caminho que não atenda estritamente a legalidade, inexistindo qualquer prova em contrário". João Eduardo da Silva, Ciro Borges Ferraz e Cléber Azevedo dos Santos foram presos pela Polícia Federal no âmbito da operação. A GloboNews não havia localizado, até a última atualização desta reportagem, as defesas deles. Dinheiro encontrado em gaveta de policial alvo de operação contra corrupção na Polícia Civil de SP Divulgação A operação Veja quem são os presos por corrupção policial em SP Trocas de áudios e mensagens de celulares apreendidos por autoridades mostram que policiais civis de São Paulo cobravam até R$ 33 milhões em propina para encerrar inquéritos contra investigados por suspeita de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro. "Eu fui até a delegacia, tá? É referente a uma transferência de [R$ ]33 milhões", diz num áudio um dos alvos do Ministério Público (MP), Polícia Federal (PF) e Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo. "Ali naquela delegacia o delegado é ‘parceiraço’ meu, tá? Você quer que eu faça alguma coisa lá? Tô...Vou aguardar a orientação tua, tá bom?” Até a última atualização desta reportagem, nove investigados haviam sido presos, entre eles um delegado, investigadores, uma doleira e um advogado. Os agentes públicos detidos também irão responder por corrupção e lavagem de dinheiro, assim como os doleiros, que eram investigados pelos mesmos crime e tiveram os inquéritos travados após pagamentos de propina. LEIA TAMBÉM: Esquema dentro da Polícia Civil de SP convertia dinheiro vivo em créditos de vale-refeição para lavar propina do crime, dizem MP e PF Doleiros da Lava Jato são investigados em esquema de corrupção na Polícia Civil de SP Transcrição de áudio encontrado em celular apreendido revela esquema de corrupção policial citando cobrança de R$ 33 milhões para trancar inquérito em São Paulo Reprodução R$ 20 milhões de propina "Segundo o Dr aqui: recebeu mais de [R$] 20 milhões", diz mensagem de texto enviada por um outro alvo da operação. Dr é a abreviação de "doutor", que segundo a PF, trata-se de um delegado. A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, identificou a participação de policiais do Departamento de Investigações Criminais (Deic) e do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). As extorsões cometidas pelos agentes contra os investigados ocorriam no hangar do Serviço Aerotático da Polícia Civil, no Campo de Marte, e também no 16º Distrito Policial (DP), Vila Clementino _depois alguns dos policiais de lá foram atuar no 35º DP, Jabaquara, onde a corrupção seguiu. Além de policiais, advogados e operadores financeiros participavam do esquema criminoso, de acordo com a Polícia Federal. Numa troca de mensagens um dos alvos diz que um delegado já recebeu mais de R$ 20 milhões em propina, segundo investigação da PF e do MP de SP Reprodução Quem são os 9 presos Entre as medidas autorizadas pela Justiça estão 11 mandados de prisões preventivas, 23 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens e valores dos investigados. Foram presos os policiais civis: José Eduardo da Silva (delegado do 35º DP); Roldnei Eduardo dos Reis Baptista (investigador do DPPC que atua na 1ª Delegacia de Combate à Corrupção); Rogério Coichev Teixeira (investigador do Serviço Aerotático); Ciro Borges Magalhães Ferraz (escrivão no 35º DP). Também foi presa a doleira Meire Bonfim da Silva Poza, e outros investigados ligados aos policiais e doleiros: Cléber Azevedo dos Santos; Robson Martins de Souza; Antônio Carlos Ubaldo Júnior, Marlon Antonio Fontana (advogado). A equipe de reportagem tenta contato com as defesas dos presos para comentarem o assunto. A contadora e doleira Meire Poza durante depoimento no Senado Federal, durante a operação Lava Jato, em agosto de 2014. Pedro França/Agência Senado Veja quem são os policiais civis presos na operação contra corrupção em SP Reprodução/TV Globo Outros presos na operação contra corrupção policial em São Paulo Reprodução/TV Globo Como o esquema funcionava O esquema funcionava, basicamente, de duas formas: policiais pediam relatórios de inteligência financeira (RIFs) sobre potenciais alvos de cobrança de propina. A partir dos relatórios que recebiam, mandavam intimações e cobravam dinheiro para não dar andamento em investigações. doleiros que tomavam conhecimento de investigações ofereciam propina para que os trabalhos parassem. Foram identificadas destruição de provas, como trocas de HDs apreendidos por dispositivos vazios. A investigação aponta que a organização criminosa utilizava métodos sofisticados para ocultar a origem de recursos ilícitos, incluindo o uso de empresas de fachada e a simulação de operações de importação. Um dos pontos centrais do esquema seria a conversão de dinheiro em espécie em créditos de vales-refeição, operada por meio de estabelecimentos comerciais fictícios. Saiba como funcionava esquema de corrupção na Polícia de SP O que diz a pasta da Segurança Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Corregedoria da Polícia Civil participa da operação e que "a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes e adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades". Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. Divulgação/MP-SP

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/06/novas-conversas-revelam-negociacao-de-propina-de-ate-r-5-milhoes-para-policiais-civis-de-sp-obstruirem-investigacao.ghtml


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