‘Museu vivo’: aos 93 anos, guardião da história de Presidente Epitácio dedica a vida à fé em Nossa Senhora dos Navegantes

  • 02/02/2026
(Foto: Reprodução)
Idoso de 93 anos guardião da história de Epitácio dedica a vida à fé em Nossa Senhora dos Navegantes EC Fluvial Tibiriçá/Wilsinho Cruz Às margens do Rio Paraná, onde a história do Oeste Paulista começou a ser escrita ainda no início do século 20, a devoção a Nossa Senhora dos Navegantes atravessa gerações. Em Presidente Epitácio (SP), essa tradição tem um personagem central: Wilson Cruz, de 93 anos. Nascido em 1933, ele é considerado por familiares e pesquisadores locais um verdadeiro ‘museu vivo’ da cidade. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Wilson participou da primeira festa dedicada à santa, ainda na década de 1940, e esteve presente em praticamente todas as procissões desde então. A única ausência ocorreu no ano passado, por motivos de saúde. “Ele participou de todas as procissões do Nosso Senhor dos Navegantes, com exceção do ano passado, por questão de saúde, ele está com 93 anos... a idade está avançada, ele já não está vendo com pernas próprias”, contou o filho, Wilson Cruz Filho, em entrevista ao g1. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A ligação entre o morador histórico de Epitácio e a santa se confunde com a própria formação do município, do antigo Porto Tibiriçá e da navegação no Rio Paraná, atividade que impulsionou o desenvolvimento econômico e social da região. A devoção a Nossa Senhora dos Navegantes chegou ao oeste paulista a partir do Sul do país. Segundo Wilson Cruz Filho, a imagem da santa foi trazida do Rio Grande do Sul e passou a ser cultuada em Epitácio em um período em que o transporte fluvial era essencial. “Não existia ponte e não existia estrada, como a gente tem a Raposo Tavares atualmente. Então, o transporte era feito ou por trem ou por via fluvial”, explicou. Na época, o Serviço de Navegação da Bacia do Prata, autarquia federal responsável pela travessia no Rio Paraná, exercia grande influência econômica e logística. Foi nesse contexto que surgiu a festa religiosa. Inicialmente, a celebração era realizada em 2 de fevereiro, data tradicional de Nossa Senhora dos Navegantes no Brasil. No entanto, em Epitácio, a comemoração foi transferida para 15 de agosto. Segundo ele, em fevereiro o rio costumava transbordar, o que colocava em risco a procissão e a própria capela do Porto Tibiriçá, muitas vezes alagada. Agosto, período de seca, passou a oferecer mais segurança para a travessia. Initial plugin text Quando a festa começou a ser organizada, Wilson Cruz ainda era adolescente. Ele tinha cerca de 15 anos quando ajudou, junto com outros moradores, a erguer a capela do Porto Tibiriçá. “Ele conta que ia no Rio Paraná junto com os outros pra pegar o barro, que fazia o tijolo, que foi erguido a capela que tem em Tibiriçá”, relatou o filho. A motivação vinha da fé, mas também da relação direta com a navegação. Nossa Senhora dos Navegantes é considerada a protetora de quem trabalha nas águas e o Rio Paraná era parte da rotina da população local. Wilson Cruz participou das festas de Nossa Senhora dos Navegantes desde o inicio EC Fluvial Tibiriçá/Wilsinho Cruz ‘Museu vivo’ Além da devoção, Wilson Cruz é reconhecido por preservar a memória da cidade. Ele foi funcionário da Bacia do Prata, secretário de turismo, comandante da embarcação turística Epitácio Pessoa e participou da formalização de Presidente Epitácio como estância turística. Ao lembrar do período em que o município se destacava como polo de turismo fluvial, com viagens pelo Rio Paraná até as extintas Sete Quedas, em Guaíra (PR), o filho contou a importância do pai na história: "Meu pai foi o primeiro comandante do Epitácio Pessoa". Ao longo da vida, Wilson também reuniu um vasto acervo de fotos, documentos e vídeos. Parte desse material deu origem ao livro "Festa de Nossa Senhora dos Navegantes - 70 anos de história", lançado em 2019, que reúne textos escritos por ele ao longo de décadas e registros audiovisuais acessados por meio de QR Code. Alguns exemplares podem ser encontrados na Biblioteca Municipal de Presidente Epitácio, nas bibliotecas das escolas Colégio/Leitão, Marina Amarante e no Instituto Federal São Paulo. A versão digital e gratuita pode ser encontrada no site Calameo. Wilson Cruz tem um livro chamado de 'Festa de Nossa Senhora dos Navegantes - 70 anos de história' EC Fluvial Tibiriçá/Wilsinho Cruz Fé além da religião Apesar da devoção profunda a Nossa Senhora dos Navegantes, Wilson Cruz não é católico. Segundo o filho, ele é espírita, o que reforça o caráter cultural e histórico da celebração. “Meu pai não é católico, meu pai é espírita. É uma questão de fé, uma tradição de fé e religiosidade, não a devoção vinculada a uma religião”, explicou. WIlson Cruz na festa de Nossa Senhora dos Navegantes em 1996 EC Fluvial Tibiriçá/Wilsinho Cruz Mesmo assim, Wilson participou ativamente da organização da festa ao longo das décadas e manteve a tradição viva, tanto do lado paulista quanto do lado sul-mato-grossense do rio. Entre os relatos que marcaram a vida de Wilson Cruz está um acidente no Rio Paraná, já na fase adulta. Segundo o filho, ele sempre atribuiu a sobrevivência à intercessão da santa. "Eles estavam no bote, e veio a embarcação, que atropelou o bote, e ele conseguiu botar a mão em cima da ponta da embarcação, e ele pulou para cima. Outros mergulharam e felizmente não aconteceu nada com ninguém, mas era para ser uma tragédia familiar. Ele reporta isso aí como um apoio direto de Nossa Senhora dos Navegantes", contou Orgulho que atravessa gerações Mesmo com o avanço da idade e o diagnóstico de Alzheimer, Wilson Cruz ainda demonstra forte ligação emocional com a festa. Segundo o filho, a ausência na procissão do ano passado foi um dos momentos mais marcantes para a família. “Ele virou e falou: ‘realmente eu estou morrendo, não pude ir em Nossa Senhora dos Navegantes’. Foi um momento de lucidez que traduz o quanto isso significa para ele", relatou. Enquanto isso, o filho segue o compromisso de preservar esse legado e trabalha nos bastidores para a criação de um Centro Cultural Histórico do Porto Tibiriçá, que deve reunir parte do acervo e contar a história da navegação, da cidade e da devoção à santa. Wilson Cruz participou pela última da festa de Nossa Senhora dos Navegantes em 2024 EC Fluvial Tibiriçá/Wilsinho Cruz Capela de São José em 1954 onde Wilson Cruz ajudou na construção EC Fluvial Tibiriçá/Wilsinho Cruz Capela de São José onde Wilson Cruz ajudou na construção nos dias atuais EC Fluvial Tibiriçá/Wilsinho Cruz Imagem de Nossa Senhora dos Navegantes no Píer Turístico de Presidente Epitácio EC Fluvial Tibiriçá/Wilsinho Cruz *Colaborou sob supervisão de Stephanie Fonseca Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-e-regiao/noticia/2026/02/02/museu-vivo-aos-93-anos-guardiao-da-historia-de-presidente-epitacio-dedica-a-vida-a-fe-em-nossa-senhora-dos-navegantes.ghtml


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