Mostra gratuita na Cinemateca celebra 20 anos da produtora de 'Ainda Estou Aqui' com filmes, cursos e debates

  • 19/03/2026
(Foto: Reprodução)
O produtor de cinema Rodrigo Teixeira Luiza Garcia O Brasil está na moda, e o cinema brasileiro tem quase tudo para se consolidar nas principais vitrines da indústria mundial. Para isso, ele precisa de incentivos e consistência. A opinião é de Rodrigo Teixeira, de 49 anos, produtor e coprodutor de filmes como "Ainda Estou Aqui", "Me Chame Pelo Seu Nome", "Ad Astra", "Alemão", "Frances Ha", e "A Vida Invisível". Um ano depois de ser indicado ao Oscar de melhor filme por "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, e ver esta coprodução brasileira e francesa vencer a estatueta de melhor filme internacional, Rodrigo Teixeira comemora o aniversário de 20 anos de sua produtora, a RT Features. A celebração começa nesta sexta-feira, 20, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, com exibições de 20 filmes do portfólio da RT Features, além de cursos e debates. Toda a programação é gratuita. A TV Globo e o g1 conversaram com Rodrigo Teixeira na capital paulista, antes da cerimônia do Oscar em que "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, concorreu a quatro prêmios. Na entrevista, o produtor fala sobre as duas décadas de trajetória, faz um balanço dos últimos anos do cinema brasileiro, destaca motivos pelo quais o país deve acreditar nas produções nacionais, e também o que pode atrapalhar o momento de destaque no cenário internacional. De quebra, ele ainda adianta alguns futuros lançamentos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 SERVIÇO Mostra 20 anos RT Features Quando? De 20 a 29 de março Onde? Cinemateca Brasileira | Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana, Zona Sul Quanto? Ingressos gratuitos, distribuídos uma hora antes de cada sessão. Sujeito a lotação Mais informações Confira a entrevista na íntegra: g1: Vinte anos atrás você já imaginava chegar até aqui, ou abriu a produtora para ver até onde ela chegaria? RT: Alguma ambição, sim. O produtor que não tem ambição morre cedo. Não termina. Acho que ambição a gente sempre teve. Sonhei com muita coisa que eu conquistei, eu sonhei, eu desejei. Acho que é perseverança, acho que é ambição, acho que essas coisas fazem com que você consiga andar durante 20 anos, que você consiga estar ali surfando nesses 20 anos. Em bons e maus momentos, porque eu tive maus momentos também. g1: A mostra vai exibir filmes, mas também tem aulas e palestras. Fale sobre a programação. RT: As masterclasses são de roteiro, direção de ator, direção de cinema, produção e distribuição. Teremos convidados que vão estar lá para conversar com as plateias. A gente tem os principais filmes que eu fiz no Brasil e os principais filmes que a gente fez fora do Brasil. Os filmes inéditos, não, eles ainda têm um percurso para percorrer. A gente tem hoje seis filmes que ainda serão lançados. Dois já estão correndo festivais e quatro vão começar a correr. Ainda em março, a gente começa a rodar um outro filme americano. Começo a rodar outro em abril e outro em junho. Então a gente tem vários bons filmes para esses próximos dois anos que vão circular. g1: Seis filmes prontos? Quais os nomes envolvidos? RT: Seis filmes prontos. Eu fiz um filme com o James Gray chamado “Paper Tiger” que tem Adam Driver, Miles Teller e Scarlett Johansson. Eu fiz um filme chamado "Glaxo", um filme argentino com um elenco argentino que é muito famoso no mundo latino-americano. Tem Lali Espósito, que é tipo uma Anitta argentina, o Marcelo Subiotto que é um ator argentino superimportante, o Esteban Lamothe e o Esteban Bigliardi que são dois atores argentinos de ponta. Um elenco incrível. Tem um filme chamado "La Perra" com um elenco chileno muito importante e o Selton Mello fazendo uma participação grande no filme. De um brasileiro que tem uma relação com o Chile. Fiz também “Lobos”, no Líbano, todo falado em árabe, com atores libaneses. Um dos atores é filho de brasileiro com libanês. Não fala uma palavra em português, mas ficou tão feliz de ter um brasileiro produzindo um filme no Líbano... Eles têm uma relação com o Brasil de paixão. Eu comecei essa produção quando Israel entrou em guerra com o Líbano em 2024, aí tive que parar. Voltei no ano passado em um momento de paz, consegui terminar a produção no final de julho, e a gente está finalizando o filme fora do Líbano e esperando ver o que vai acontecer. A gente não está ali discutindo religião, e, sim, uma crise econômica que aconteceu no país, e os resultados dessa crise econômica. Tem judeus e árabes fazendo o mesmo filme, então, consegui entender um pouco das opiniões deles e respeitar mais as opiniões de ambos os lados e entender que infelizmente é algo difícil de terminar. Mas é um filme que eu tenho muito orgulho de ter feito. Muito, muito orgulho. g1: Em 20 anos, ficou mais fácil fazer cinema no Brasil, ou o cinema brasileiro vive aos solavancos? RT: Acho que a gente teve um avanço muito grande nesses anos, se você fizer uma somatória desses últimos 20, 25 anos. Acho que a política pública é necessária. O investimento público no cinema é superimportante. O governo Bolsonaro atrofiou isso e, ao atrofiar isso, acho que a gente perdeu muito. O governo Lula não vai resolver isso em um mandato. Não adianta a gente jogar no colo deste governo, e da equipe que se formou, a solução do problema que o governo Bolsonaro e a pandemia fizeram com nosso mercado. Em quatro anos você não resolve o que essas duas situações destruíram. Mas é muito legal o que está acontecendo. “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” aparecerem nesse momento e mostraram que, com investimento e consistência, a gente pode chegar lá sempre. O Brasil é um polo de talento artístico ímpar. A gente é bom na música, a gente é bom em artes plásticas, a gente é bom no cinema. Tem uma frase minha que foi tirada de contexto que eu falo: "Pô, o cinema brasileiro substituiu o futebol". Não substituiu o futebol. O cinema brasileiro está dando a alegria que o futebol deixou de dar. Quem está dando alegria é o cinema brasileiro. O reconhecimento do Oscar é como se a gente tivesse ganhado a Copa do Mundo. Por isso que a gente engaja. Porque isso é alegria, isso é autoestima. O brasileiro precisa de autoestima. A gente perdeu autoestima quando a gente apanhou de 7x1 da Alemanha. A gente perdeu autoestima na pandemia. A gente precisa recuperar a autoestima. O Brasil é muito legal. O Brasil é um país muito bacana. Não pode ficar com a autoestima baixa. g1: Faz um ano que “Ainda Estou Aqui” venceu o Oscar de melhor filme internacional. Essa conquista rendeu frutos? RT: Eu acho que os frutos são o reconhecimento de que o Brasil faz bem esse trabalho, o mundo está olhando para o Brasil agora. O que a gente precisa é dar continuidade e, para dar continuidade, a gente precisa de incentivo público. Se a gente não tiver apoio e incentivo público para desenvolver projeto, para criar plateia, para educar essas pessoas, para formar talento, a gente não tem como dar continuidade ao que "Ainda Estou Aqui" e "O Agente Secreto" fizeram. Se a gente tiver isso nos próximos anos, o Brasil se consolida. A gente não vai mais ser uma exceção. A gente vai ser igual a França, Itália, Alemanha. Sempre tem um filme lá nesse lugar. Por que a gente não pode ter? A Fernanda Torres e o Wagner Moura, a gente sabe o que eles são. Quem está descobrindo o que eles são agora são os americanos e o resto do mundo. O Wagner já tinha uma carreira internacional. A Fernanda é esse monstro de atriz, esse gênio de atriz desde os 19 anos. Ela ganhou uma Palma de Ouro com 19 anos. Quantas atrizes no mundo têm uma Palma de Ouro? Nenhuma, de todas que competiram com a Fernanda Torres, tem o prêmio que a Fernanda Torres tem. A gente já sabe há 40 anos. Mas, amanhã, a Andréa Beltrão pode estar lá, a Débora Bloch pode estar lá, a Marjorie Estiano pode estar lá. Camila Pitanga, Alice Wegmann, Alice Carvalho, todas as atrizes podem estar lá amanhã. Selton Mello, que fez um trabalho extraordinário, reconhecido mundialmente por "Ainda Estou Aqui". O que eu ouço as pessoas falarem do Selton Mello lá fora é inacreditável. Wagner Moura, Rodrigo Santoro, Gabriel Leone, Antônio Fagundes. Tony Ramos. Olha a qualidade. Irandhir Santos, Júlio Andrade, Ravel Andrade, Daniel Oliveira, Lázaro Ramos. Olha a qualidade de atores que a gente tem. Amanhã é a vez deles. O que o Wagner e a Fernanda fizeram, o Selton, o Walter, o Kleber, a Emilie Lesclaux, o Gabriel Domingues, o Adolpho Veloso. É a prova de que a gente tá fazendo um cinema de muita qualidade. g1: Você visita outros países, convive com pessoas de outros países com frequência. Você tem essa sensação das redes sociais de que o Brasil está na moda? RT: Muito. Hoje falar do Brasil já é meio caminho andado para você apresentar alguma coisa. Se você falar: "Olha, tem um talento novo no Brasil que eu acredito que vá ser um cara que pode ter uma trajetória parecida com a do Kleber e a do Walter", os caras vão parar e vão te ouvir. O que você precisa é entregar. De novo, você precisa de um apoio. Se esse apoio não existir, como é que você vai entregar? Falando de vocês. Sem o Globoplay, “Ainda Estou Aqui” não existiria. O Globoplay acreditou nesse projeto no segundo dia. Ela não acreditou nesse projeto quando ele já tava hypado. Eu tive "luz verde" em 48 horas. g1: Do ponto de vista estrutural, em uma entrevista à "Folha de S.Paulo", você disse que não acredita que esse desempenho nas premiações vá se repetir em um futuro próximo. RT: Eu não acho que do ponto de vista estrutural, eu acho o seguinte. Como eu falei aqui, houve uma atrofia do mercado brasileiro no governo Bolsonaro. Tanto "Ainda Estou Aqui", quanto "O Agente Secreto", são filmes anteriores de desenvolvimento. Eles não foram desenvolvidos naquele momento. Se fossem, eles talvez estariam acontecendo ano que vem, ou em 2028. Eles foram desenvolvidos anteriormente. Walter Salles e Kleber Mendonça Filho são diretores que já tinham uma trajetória em que você desperta o interesse de um grande festival internacional. É fácil prever que esses caras têm uma chance de alcançar uma indicação ao Oscar. Até o Walter ganhar, a indicação era nosso primeiro objetivo. Agora, ganhar é um objetivo factível. Então, esses dois diretores tinham essa capacidade. Como o Fernando Meirelles tem também, como o Karim Aïnouz tem também. Como amanhã o Gabriel Mascaro vai ter, a Carol Markowicz vai ter. Posso falar 200 nomes aqui para você. Esses caras precisam estar fazendo cinema. Quando eu falo que talvez tenha um hiato, é que talvez essas pessoas não estejam fazendo cinema agora. O Walter Salles não está filmando agora um longa para ir para o Oscar de 2027. O Kleber não está filmando um longa agora. A Carol Markowicz vai filmar. A Carolina Jabor está filmando, o Carlos Saldanha está filmando, o Aly Muritiba está filmando, Marco Dutra vai filmar. O Gabriel Martins e o Andrucha Waddinton filmaram também. É que para estar lá, você precisa aparecer primeiro em uma vitrine. As principais vitrines são Berlim, Cannes e Veneza. Você entrou numa dessas três vitrines, seu filme começa a ter um espaço em que você começa a poder almejar estar onde "Ainda Estou Aqui" e "O Agente Secreto" chegaram. Se você vai conquistar o que esses dois filmes conquistaram, não sei. Mas se você quer almejar estar nessa posição, você precisa dessas três vitrines. Não é só o Brasil que precisa dessas vitrines, é o mundo. O cinema mundial olha para essas três vitrines. Isso não é um um problema brasileiro. A gente está competindo com esses caras. O que eu estou dizendo é que é mais fácil você dizer, se o Kleber ou o Walter estiverem com um filme pronto, que a gente tem a chance de voltar no próximo ano para um Oscar porque eles já estiveram lá. Foi nesse sentido que eu quis dizer. A primeira plataforma deste ano já passou, que é o Festival de Berlim. Nós não tivemos um filme em competição em Berlim. Nós tivemos filmes na Mostra Panorama, no Festival de Berlim. Um deles eu produzi, "Isabel", do Gabe Klinger. Eu não sei se o meu filme que entrou na Panorama é o filme que vai ser indicado ao Oscar pelo Brasil. Eu não vejo. Eu amo meu filme, mas eu não sei se é esse filme. Amo, acho um excelente filme. Mas eu sou realista. g1: Você acredita já ter deixado um legado ao longo desse tempo? E o que aprendeu sobre a indústria nesses 20 anos? RT: Aprendi que no cinema você tem que ter muita perseverança. Eu sacrifiquei muito da minha vida pessoal para fazer o que eu faço. Tem que estar viajando o tempo inteiro. Os meus filhos sofrem muito. É uma pena porque não é por falta de amor, mas por falta de presença às vezes. Um dos legados mais importantes que eu estou deixando é meu filho que quer seguir essa carreira. Acho que eventualmente minha filha também pode enveredar por esse lado. Então, é muito interessante, para mim, ver que esse legado que eles identificam em mim é um ponto de orgulho mesmo não estando tão presente na vida deles como eu gostaria e como eu imaginei que eu estaria. A própria mãe, que não é mais minha esposa, a gente se divorciou, é uma pessoa que cuidou muito bem deles na minha ausência, e eu acho isso importante reconhecer. Cara, então, um legado importante, me trouxe a minha atual namorada que é a pessoa com quem eu convivo e divido a minha vida nos últimos sete anos. Ela foi importantíssima para me ajudar a sobreviver quatro anos muito difíceis que eu tive entre 2020 e o início de 2024. Se ela não estivesse do meu lado, eu não sei se eu teria conseguido sobreviver a esse período. Eu sei que eu deixo um legado de filmes bons. Eu vejo isso no mundo inteiro. Quando você vê que culturas completamente dispersas, pessoas que você nunca imaginou que atingiria, e essas pessoas têm um respeito por você.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/19/mostra-gratuita-na-cinemateca-celebra-20-anos-da-produtora-de-ainda-estou-aqui-com-filmes-cursos-e-debates.ghtml


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