Mancha Alviverde pagará acordo milionário à família de cruzeirense morto em emboscada; feridos também serão indenizados
03/03/2026
(Foto: Reprodução) Como foi planejada a emboscada da torcida Mancha Alviverde contra os rivais da Máfia Azul
A Mancha Alviverde assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de São Paulo e deverá pagar ao menos R$ 2 milhões de indenização aos cruzeirenses vítimas de uma emboscada no km 65 da Rodovia Federal Fernão Dias, em Mairiporã, em outubro de 2024.
A família do cruzeirense José Victor Miranda, que tinha 30 anos quando foi morto pelos palmeirenses, receberá ao menos R$ 1 milhão. Os outros 15 cruzeirenses que ficaram feridos ficam com a outra metade da indenização.
A quantia é provisória e garante um mínimo de indenização, que pode ser majorada numa futura condenação na Justiça.
Por intermédio da Promotoria de Justiça de Mairiporã e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), a torcida organizada da Sociedade Esportiva Palmeiras assumiu a responsabilidade civil pelos danos decorrentes do episódio da emboscada.
Torcedores do Cruzeiro retornavam do estado do Paraná após partida válida pelo Campeonato Brasileiro quando um ônibus foi incendiado e outro acabou depredado.
"Como condição para a manutenção de suas atividades e retorno aos estádios, a torcida deverá cumprir obrigações de transparência inéditas, com o envio periódico de listagem atualizada de todos os associados às autoridades e obrigatoriedade de informar órgãos de segurança sobre os deslocamentos e comboios organizados", destacou o MP.
O órgão apontou, ainda, que o TAC tem natureza de título executivo extrajudicial e que a responsabilidade nas esferas criminal e administrativa não foram afastadas.
Polícia ainda procura palmeirenses
Quando o crime completou 1 ano, a Polícia Civil ainda procurava 18 palmeirenses acusados de participar da emboscada. Outros 24 já estavam presos, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Quem tiver informações sobre os palmeirenses foragidos pode ligar para o telefone 181 do Disque-Denúncia. Não é preciso se identificar.
De acordo com o Gaeco, os palmeirenses usaram paus, pedras, bolas de bilhar, pregos e rojões para atacar ônibus de membros da Máfia Azul, principal torcida do Cruzeiro, na Rodovia Fernão Dias.
Os veículos foram incendiados e os rivais cruzeirenses acabaram agredidos. As duas torcidas tinham uma rixa antiga por causa de outras brigas.
Os próprios torcedores paulistas filmaram a ação criminosa contra os mineiros e postaram as imagens nas redes sociais, o que ajudou o Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na identificação dos agressores.
José Victor Miranda dos Santos, cruzeirense que morreu em emboscada feita por palmeirenses em SP
Arquivo pessoal
Palmeirenses que irão a júri
Dos 20 palmeirenses que irão a júri, 17 estão presos, outros três estão foragidos.
Eles são acusados pelo Gaeco do Ministério Público por um homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, perigo comum e recurso que dificultou as defesas das vítimas.
Também respondem na Justiça por 15 tentativas de assassinato e por causarem tumulto, de acordo com a Lei Geral do Esporte.
Veja abaixo a situação de cada um:
Jorge Luiz Sampaio Santos: presidente da Mancha naquela ocasião do ataque à Máfia, ele renunciou ao cargo antes de se entregar à polícia e ser preso;
Felipe Mattos dos Santos, o "Fezinho": era vice-presidente da Mancha e está preso;
Luiz Ferretti Junior: advogado e torcedor preso;
Jeovan Fleury Patini: torcedor preso;
Alekssander Ricardo Tancredi: torcedor preso;
Leandro Gomes dos Santos: torcedor preso;
Diego Machado Sardella: torcedor preso;
Rodrigo Santander Tosin: torcedor preso;
Caio Cesar de Souza Guilherme: torcedor preso;
Marcos Moretto Junior: torcedor preso;
Alan de França Soares: torcedor preso;
Lucas Henrique Marchelli de Lima: torcedor preso;
Jesus Pedrosa de Almeida: torcedor preso;
Vinicius Sales Canuto: torcedor preso;
Aurélio Andrade de Lima: torcedor preso;
Lucas Henrique Zanin dos Santos: torcedor preso _responde também na Justiça por ter adulterado as placas de um carro usado no crime;
Alexandre Santos Medeiros: torcedor preso;
Neilo Ferreira e Silva, o "Lagartixa": torcedor da Mancha, professor de boxe e muay thai, está foragido;
Cesar Augusto Pinheiro Melo: torcedor foragido _responde também na Justiça por ter adulterado as placas de um carro usado no crime;
Renato Mendes da Silva: torcedor foragido.
Palmeirenses procurados por emboscada a cruzeirenses (da esquerda para a direita): Jorge Santos, Leandro Santos, Aurélio Lima (na primeira linha); Felipe Santos e Neilo Silva (na segunda linha)
Reprodução