Justiça manda soltar empresário investigado por sumiço de sacas de café após acordo milionário no MP
29/07/2026
(Foto: Reprodução) A Justiça de Minas Gerais mandou soltar o empresário de Franca (SP) Elvis Vilhena Faleiros, investigado por sumiço de R$ 132 milhões em sacas de café de produtores de Ibiraci (MG).
A determinação que revogou a prisão preventiva foi dada após a assinatura de um termo de ajustamento de conduta em que a empresa EldoradoAgro se comprometeu em indenizar em R$ 47,2 milhões os integrantes da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil), vítimas do desaparecimento das sacas.
O valor a ser compensado, segundo o TAC firmado com o Ministério Público, é o que Faleiros acumula em direitos creditórios na empresa por meio de herança.
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Diante da garantia, ainda que parcial de ressarcimento, a Justiça entendeu que houve uma mudança no contexto do processo, que permitirá ao empresário responder em liberdade, cumprindo outras medidas cautelares.
O empresário Elvis Vilhena Faleiros, de Franca (SP), é suspeito de sumir com 21 mil sacas de café que estavam armazenadas nos barracões de cooperativa em Ibiraci (MG)
Arquivo pessoal
"Após a decretação da prisão preventiva, sobreveio alteração relevante das circunstâncias que justificaram a segregação cautelar, notadamente em razão da celebração do Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre o Ministério Público e a empresa EldoradoAgro, o qual assegura patrimônio suficiente para garantir, em grande parte, o ressarcimento dos prejuízos experimentados pelos produtores rurais lesados", analisou o juiz Roberto Carlos de Menezes.
Enquanto permanecer em liberdade provisória, segundo a Justiça, o empresário será monitorado eletronicamente, além de estar proibido de manter contato com vítimas, testemunhas e corréus do processo.
Advogado de defesa de Elvis Vilhena Faleiros, Donizete dos Reis Cruz afirmou que o empresário nunca teve intenção de causar prejuízo aos produtores e não agiu com intenção criminosa. De acordo com o advogado, o caso é resultado de "negócios mal sucedidos que levaram a dívidas".
A defesa sustenta ainda que a prisão preventiva do empresário foi ilegal e arbitrária, por entender que, na prática, tratou-se de uma prisão civil por dívida, o que é vedado pela legislação brasileira.
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Sumiço de 21 mil sacas de café
O acordo com o Ministério Público foi firmado no âmbito de um inquérito civil instaurado pela Promotoria de Justiça de Minas Gerais para assegurar a reparação dos danos relacionados ao caso que investiga o desaparecimento de 21 mil sacas de café armazenadas nos barracões da Cocapil, presidida por Faleiros, e principal investigado no caso.
Segundo a Polícia Civil, o esquema pode ter feito cerca de 180 vítimas e provocado um prejuízo de, pelo menos, R$ 132 milhões, incluindo perdas dos produtores, dívidas bancárias e com fornecedores.
A fraude começou a ser descoberta em agosto do ano passado, quando produtores procuraram a cooperativa para retirar sacas de café e constataram que o produto não estava mais nos armazéns.
Faleiros teve a prisão decretada pela Justiça em janeiro e foi preso em fevereiro, em Frutal (MG), após permanecer mais de um mês foragido.
Ele é investigado pelos crimes de apropriação indébita, gestão temerária de cooperativa e associação criminosa. Além dele, dois diretores da Cocapil tiveram os bens penhorados durante as investigações.
Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil)
Lindomar Cailton/EPTV
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