Governo de SP mantém pressão da água reduzida por 10 horas à noite para preservar níveis dos reservatórios
13/03/2026
(Foto: Reprodução) Nível de reservatórios da Grande SP melhora, mas não alcança normalidade
O governo de São Paulo manteve a pressão da água reduzida por 10 horas à noite, entre as 19h e as 5h, para preservar níveis dos reservatórios que abastecem a região. Sem pressão suficiente, a água não tem chegado a muitas casas em bairros mais altos.
A decisão de manter foi tomada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), órgão da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), na segunda-feira (9).
Embora o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) esteja atualmente acima de 52% de armazenamento, o Sistema Cantareira, responsável por cerca de 50% do abastecimento da Grande São Paulo, apresenta em torno de 39% e teve recuperação abaixo do esperado durante o período de chuvas.
Sistema Cantareira ainda tem desempenho inferior ao esperado e aperto na distribuição de água continua em São Paulo.
Pablo Jacob/GESP
Diante da aproximação da estiagem, a Arsesp e a Agência SP Águas optaram por manter a redução de pressão no período noturno.
A medida está em vigor desde setembro do ano passado e poderá ser revista caso haja melhora significativa nas condições hidrológicas, especialmente no Cantareira. Segundo o governo, a medida economizou mais de 105 bilhões de litros de água, volume suficiente para abastecer a Capital, Guarulhos, São Bernardo e Mauá por aproximadamente 30 dias.
A decisão foi tomada pelo Conselho Diretor da Agência com base em avaliação técnica das condições hidrológicas do sistema e seguindo recomendação do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, composto pela Arsesp e pela SP Águas.
"A decisão considera o percentual de recuperação dos reservatórios e a aproximação da estiagem, fase em que historicamente se intensifica a pressão sobre os sistemas de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. Nesse contexto, a manutenção das medidas de gestão da demanda busca preservar os níveis dos reservatórios e reforçar a segurança hídrica da região", disse a Arsesp.
Situação dos reservatórios da Sabesp em 13 março de 2026.
Reprodução
Faixas
Pressão da água tem sido reduzida por 10 horas durante a noite na Grande São Paulo
Divulgação/Saneago
Atualmente, o Sistema Integrado Metropolitano apresenta reservação de 50,75% e é dividido em sete faixas de atuação.
Segundo o governo, os níveis atuais indicam enquadramento na Faixa de Atuação 2, na qual a Gestão de Demanda Noturna seria aplicada por até oito horas. Como medida preventiva, entretanto, a GDN será mantida em 10 horas.
Tradicionalmente, o período de cheias em São Paulo ocorre entre outubro e o fim de março. São seis meses em que as represas deveriam acumular praticamente toda a água necessária para o restante do ano - e esse prazo está chegando ao final. No maior dos reservatórios, o Sistema Cantareira, este é o terceiro pior período de chuvas dos últimos dez anos.
O Cantareira abastece cerca de 9 milhões de moradores da Grande São Paulo. De outubro de 2025 a fevereiro de 2026, o sistema acumulou 75 bilhões de litros de água, volume muito abaixo da média da última década. Atualmente, o reservatório opera com cerca de 36% da capacidade.
Já o SIM, que reúne sete mananciais, registrou o menor patamar para o mês desde 2016, quando os reservatórios que atendem a região ainda estavam se recuperando da crise hídrica do ano anterior.
Faixas de atuação do governo na gestão hídrica (em 3 de março de 2026) e restrições:
Faixa de normalidade (100 a 57,23%)
Faixa 1 (57,22% a 51,23%): Início das ações de revisão das transposições de bacia e reforço das campanhas de uso consciente da água;
Faixa 2 (52,22% a 45,23%): Diminuição da pressão na rede de abastecimento por 8 horas noturnas;
Faixa 3 (45,22% a 39,23%): Redução de pressão por 10 horas e economia de 8 mil litros por segundo;
Faixa 4 (39,22% a 33,23%): Pressão limitada na tubulação por 12 horas;
Faixa 5 (33,22% a 23,23%): Restrições mais intensas, com 14 horas de contenção no sistema;
Faixa 6 (23,22% a 13,23%): Contenção ampliada para 16 horas noturnas, com início da instalação de bombas para captar o volume morto e ligações emergenciais em locais essenciais, como hospitais, clínicas de hemodiálise, presídios e postos de bombeiros;
Faixa 7 (abaixo de 13,23%): Implantação do rodízio no abastecimento, com alternância diária entre as áreas que terão e as que não terão água.