Fazenda em Jeriquara, SP, mantém tradição do café há mais de 100 anos sob comando de quatro gerações de mulheres
27/01/2026
(Foto: Reprodução) 'EPTV nas Férias': Conheça fazenda centenária com matriarca de 102 anos em Jeriquara, SP
Uma fazenda centenária em Jeriquara (SP), na região de Ribeirão Preto (SP), mantém viva há mais de 100 anos a tradição da produção de café e hoje é comandada por quatro gerações de mulheres da mesma família. A propriedade faz parte da rota do café do “EPTV nas Férias” e tem como matriarca Juliana de Oliveira, de 103 anos.
📺 Durante quatro semanas, entre janeiro e fevereiro, a EPTV exibe o "EPTV nas Férias", uma série de reportagens especiais que percorre quatro rotas turísticas, destacando a rota do vulcão, no Sul de Minas; a rota das cachoeiras, em São Carlos; a rota do café, em Ribeirão Preto; e a rota do circuito das águas, em Campinas.
A gestão da produção está hoje sob responsabilidade de Bruna Fernandes Malta, neta de Juliana. Ela coordena as atividades da propriedade, acompanha todas as etapas da cadeia produtiva e divide funções dentro da fazenda.
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Quatro gerações de mulheres da mesma família mantêm viva a tradição da produção de café na fazenda centenária, em Jeriquara (SP).
Reprodução EPTV
A sucessão feminina atravessa a história da propriedade: além da matriarca Juliana, participam do dia a dia a filha Sueli Fernandes Malta, a neta Bruna e a bisneta Maria Rita.
"A gente trabalha com a cadeia completa do café. Eu acompanho tudo aqui dentro da propriedade. Hoje, faço o gerenciamento da produção, divido as funções e coordeno tudo o que acontece na lavoura. É uma lavoura comandada por mulheres”, disse Bruna.
🪴 Como tudo começou
A história da fazenda começou no início do século passado, quando a área ainda era, em grande parte, mata fechada. Juliana conta que, quando se casou, havia pouco café plantado. Ela e o marido passaram a cultivar o terreno e criaram os filhos trabalhando na lavoura.
"Quando eu cheguei aqui, tinha pouquinho café, mais praquele lado. O resto era tudo mato, não tinha nada. A gente começou a mexer nesse pedacinho, depois vieram os filhos. Eu criei meus filhos debaixo dos pés de café, trabalhando com meu marido na roça.”, explicou a agricultora.
Hoje, a fazenda soma mais de 130 hectares de área plantada. O cenário atual é bem diferente daquele do início do século passado. O trabalho que antes era feito com enxada e colheita manual deu lugar a máquinas, equipamentos e técnicas modernas.
A matriarca afirma que, apesar da tecnologia, a base do cultivo continua sendo o cuidado diário com a lavoura.
“No meu tempo não tinha esse maquinário todo. Era tudo na enxada, a colheita era na mão. Foi muito difícil no começo. Depois, os filhos foram comprando os equipamentos, foi ficando mais fácil, mas eles aprenderam tudo junto com a gente, trabalhando na lavoura.”
A fazenda soma mais de 130 hectares de área plantada de café, em Jeriquara (SP), no interior de São Paulo.
Reprodução EPTV
☕ Alta Mogiana
A história da família acompanha a própria formação da chamada Alta Mogiana, uma das principais regiões cafeeiras do país.
O pesquisador Otávio Henrique da Silva Lemes explica que o café chegou ao interior paulista após avançar pelo Vale do Paraíba fluminense e paulista, expandindo-se depois para Campinas, Limeira, Ribeirão Preto e, mais tarde, Franca e região.
Localizada na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, a Alta Mogiana é formada por 16 cidades paulistas e sete mineiras.
O desenvolvimento da região esteve diretamente ligado à antiga Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, que partia de Campinas e cortava o interior para escoar a produção de café e transportar pessoas.
Antiga estação da Companhia Mogiana, inaugurada em 1888, em Franca (SP), ajudou a impulsionar o escoamento do café e o desenvolvimento da região da Alta Mogiana.
Reprodução EPTV
Em Franca, a estação Mogiana foi inaugurada em 1888 e funcionou até 1971. Após mais de três décadas desativada, passou por restauração e hoje abriga um centro cultural e o Mercado Municipal.
“O café tem uma história muito amarga, porque ele tem um ciclo econômico movido pelo tráfico de pessoas negras. Então elas moviam a economia do café. Naquela época aqui na nossa região a gente tinha pequenas pousadas e economias voltadas dentro dos vilarejos para esse comércio que migrava para Minas Gerais, Goiás. Com a vinda do café e da companhia Mogiana a gente teve uma grande expansão do café como uma importância econômica", disse Otávio.
Atualmente, a Alta Mogiana é reconhecida pela produção de cafés especiais. De acordo com o pesquisador, a combinação entre altitude elevada e solos de origem vulcânica favorece o cultivo do café arábica, responsável pelos grãos mais valorizados.
“Toda a nossa região é composta por esse solo que tem origem vulcânica, de uma imensa qualidade, e também essa altitude que possibilita esse grão específico do café. Em outras regiões do Brasil a gente não consegue produzir da esma forma. Hoje em dia o café da nossa região é muito admirado". explicou o pesquisador.
Grãos de café colhidos na fazenda centenária, que hoje produz cafés especiais na região de Ribeirão Preto (SP).
Reprodução EPTV
📍 Fazenda aberta para visitação
Além da produção, a fazenda de Jeriquara também investe no turismo rural. O espaço é aberto à visitação e oferece um roteiro que apresenta todas as etapas do café, da lavoura à xícara.
As visitas custam R$ 200 por pessoa, com café da manhã e almoço inclusos. As turmas são formadas sob demanda.
Aos 103 anos, Dona Juliana acompanha a rotina da propriedade e vê no crescimento da lavoura a realização de um sonho.
"Quando eu olho pra isso aqui, eu fico feliz e agradeço muito a Deus. Aquilo que a gente tinha vontade, a gente conseguiu. O café vai continuar, e a família também vai continuar aumentando.”, concluiu
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