Família denuncia negligência médica após bebê de 10 meses morrer sem diagnóstico conclusivo em Sorocaba
22/07/2026
(Foto: Reprodução) Família denuncia negligência após bebê de 10 meses morrer sem diagnóstico conclusivo
Uma família registrou um boletim de ocorrência por negligência médica após o bebê Isaac Filipe Aguiar de Assis Verissimo, de 10 meses, morrer sem diagnóstico conclusivo em Sorocaba (SP). A criança morreu no último sábado (18) após ter crises de falta de ar, vômitos, manchas no corpo e passar por três atendimentos nas Unidades Pré-Hospitalares (UPHs) da Zona Leste e da Zona Oeste. O médico que fez o último atendimento foi afastado do cargo.
Isaac começou a apresentar febre no domingo, 12 de julho, quando teve febre. Quatro dias depois, quando manchas vermelhas surgiram pelo corpo, a mãe, Alexya Machado, levou o menino à UPH da Zona Leste.
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"A médica que atendeu ele (filho) não fechou o diagnóstico. Passou remédios gripais pro meu filho. Ela falou que ele estava num quadro viral de mão, pé e boca, sarampo, catapora e mandou ele embora pra casa", contou.
Família registrou um boletim de ocorrência por negligência médica após um bebê de 10 meses morrer sem diagnóstico conclusivo, em Sorocaba (SP)
Arquivo pessoal
No dia seguinte, o bebê foi levado a uma consulta de retorno na mesma unidade. Segundo a família, ele foi medicado e liberado para voltar para casa mais uma vez, ainda sem uma resposta exata sobre a doença.
Na madrugada de sábado (18), o menino teve uma piora, com falta de ar e vômitos frequentes, e foi levado à UPH da Zona Oeste.
"Chegando lá (na UPH), o médico não colocou a mão nele. Deu um remédio para cortar o vômito e eu já estava indo embora pra casa quando cheguei na farmácia do PA e ele voltou a vomitar. Eu voltei com ele, as enfermeiras correram colocar balão de oxigênio. O médico falou pra fazer hemograma, viu que o potássio dele estava baixo. Daí deram uma injeção e depois dessa injeção que o meu filho se foi", relatou a mulher.
🔍 O que é potássio baixo: A condição, chamada de hipocalemia (níveis abaixo de 3,5 mEq/L no sangue), causa fraqueza, fadiga, formigamentos e arritmias cardíacas. Geralmente é provocada por quadros de vômitos, diarreia ou suor excessivo.
Bebê foi atendido na Unidade Pré-Hospitalar (UPH) da Zona Oeste de Sorocaba (SP)
Google Maps/Reprodução
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Denúncia de negligência médica
A família alega que o menino não recebeu o atendimento adequado para sua situação de saúde nas UPHS. Segundo o guia de encaminhamento emitido pela UPH da Zona Oeste, a criança morreu enquanto recebia os primeiros socorros, evoluindo com hipoatividade, rebaixamento do nível de consciência e parada cardiorrespiratória. O velório e o sepultamento ocorreram no domingo (19), no Cemitério Municipal Santo Antônio.
Na denúncia à polícia, a mãe relatou que o bebê havia sido diagnosticado com bronquiolite e possível asma em junho, e que o quadro atual de saúde havia se agravado na noite do dia 12. Pela ausência de respostas conclusivas, a Polícia Civil registrou o caso como morte suspeita e requisitou exames necroscópico e toxicológico.
O que diz a prefeitura
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde (SES) lamentou o ocorrido e afirmou estar à disposição dos familiares para todo o esclarecimento necessário, além disso, afirma que não foram apresentados riscos de óbito no bebê durante os atendimentos, pois ele estava com sinais vitais dentro da normalidade. Leia abaixo.
"Após solicitação de esclarecimento às unidades de urgência responsáveis pelos atendimentos, a SES foi informada que foram respeitados os protocolos médicos. Vale ressaltar que, durante o tratamento, segundo as investigações iniciais, não foram apresentados riscos de óbito, com sinais vitais dentro da normalidade nas pré-consultas de triagem e durante a consulta médica", diz o documento.
A prefeitura ainda declara que a causa do óbito é aguardada pelo Sistema de Verificação de Óbito (SVO) e o Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), que teria tomado as "medidas cabíveis em relação ao profissional" que atendeu Isaac pela última vez. Ele foi afastado do cargo. "A SES aguarda mais informações para continuidade das tratativas e fiscalizações que lhe cabem, ficando à disposição das demais autoridades".
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