Falso médico: Justiça avalia soltura de empresário que usou CRM de sócio que morreu durante investigações
06/03/2026
(Foto: Reprodução) Wellington Augusto Mazini Silva foi preso por exercício ilegal da medicina em Cananéia
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O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) começou a julgar o pedido de soltura do empresário Wellington Mazini, preso após se passar pelo médico Enrico Di Vaio em um hospital no início do ano. A defesa recorreu depois que a Justiça negou um habeas corpus. O caso está sendo analisado por uma turma de desembargadores em sessão virtual. O médico verdadeiro morreu em fevereiro.
O empresário usou o documento profissional de Enrico, seu sócio em uma clínica em São Paulo, para realizar exames em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no Centro de Cananéia, no início de fevereiro. Mazini afirmou que agiu a mando do médico e receberia R$ 1,5 mil pelo serviço.
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A fraude foi descoberta após o falso médico dizer ter visto a vesícula de uma paciente, que não tem o órgão. Mazini teve um pedido de soltura negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que considerou que a sua liberdade representava um risco à sociedade.
A decisão, porém, foi tomada de forma monocrática [individual] pela desembargadora Márcia Monassi. Por conta disso, o advogado Celino Barbosa Netto, entrou com um agravo criminal interno solicitando o julgamento por uma turma de desembargadores.
Além de Márcia, relatora do processo, participam do julgamento os desembargadores Freddy Lourenço Ruiz Costa e Luiz Antonio Cardoso. Os magistrados devem publicar a decisão em até seis dias úteis do início do julgamento, que começou na quinta-feira (5).
G1 em 1 minuto - Santos: Falso médico é descoberto após citar órgão que paciente não tinha
Soltura
No agravo solicitado pelo advogado, a defesa de Wellington pede a conversão da prisão preventiva do suspeito por medidas cautelares. Eles destacam que o empresário é réu primário, não possui antecedentes e que está sofrendo constrangimento ilegal pela prisão.
Barbosa Netto pontuou que a decisão que negou o Habeas Corpus foi tomada de forma genérica. Ele destacou que a soltura do suspeito representava um risco à ordem pública, devido à natureza do crime.
A defesa disse ainda que Wellington não teria como atrapalhar a investigação, tendo em vista que já confessou os atendimentos e todos os itens que estavam com ele foram apreendidos.
“No caso de Wellington, é plenamente viável assegurar o prosseguimento do processo e resguardar eventuais riscos por meio de condições menos drásticas. O paciente se dispõe a acatar rigorosamente as imposições que forem fixadas”, diz o advogado.
Alvo de processos
Cinco mulheres atendidas por Mazini entraram na Justiça pedindo indenização de R$ 250 mil — R$ 50 mil para cada uma. Elas solicitam reparação por danos morais após terem sido submetidas a exames de ultrassom transvaginal com o suposto profissional.
Na petição enviada à Justiça, consta que o suspeito realizou exames de ultrassom transvaginal nas vítimas. O advogado destacou que a situação representou "extrema exposição e vulnerabilidade", já que as mulheres tiveram sua intimidade indevidamente violada.
O advogado ainda destacou a omissão da fiscalização por parte da empresa gestora e do município. A ação foi protocolada de forma solidária, o que significa que qualquer um dos réus pode pagar o valor integral e depois cobrar sua parte.
Enrico Di Vaio (à esq.) era sócio e dono do CRM usado por Wellington Mazini (à dir.)
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"A exposição indevida de seu corpo em contexto médico, mediante fraude, gerou intenso constrangimento e sofrimento psíquico", destacou Almeida.
Ao g1, o advogado Celino Barbosa Netto, que representa Mazini, disse que a defesa ainda não foi citada sobre as ações. "Meu cliente sequer foi citado ainda na esfera criminal e os fatos narrados nas ações cíveis dependem inexoravelmente da decisão da ação penal", disse ele.
Denúncias anteriores
Wellington Augusto Mazini Silva foi preso por exercício ilegal da medicina em Cananéia
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Conforme apurado pelo g1, Mazini já havia sido acusado de crimes semelhantes quatro meses antes, em Santo Amaro, na Grande São Paulo. Em setembro de 2025, um empresário denunciou ele e familiares por associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica e apropriação indébita.
Na acusação, o denunciante afirmou que Mazini se passou pelo mesmo médico cujo CRM foi usado em Cananéia, tendo realizado ao menos dez atendimentos na região. Entre os procedimentos, estariam ultrassonografias de próstata, vias urinárias e abdômen total.
O documento destacou que a conduta colocou em risco a saúde de diversos pacientes, submetidos a exames por um profissional não habilitado. O Ministério Público e a Polícia Civil foram acionados, mas não houve retorno sobre o andamento das investigações.
Denunciado
O Ministério Público denunciou Mazini por estelionato, exercício ilegal da medicina, falsidade material e perigo para a vida, com penas que podem chegar a 13 anos. A defesa afirmou que a acusação é “inflada” e juridicamente controversa, ressaltando que o processo ainda está em fase inicial e que os fatos serão analisados pelo Judiciário.
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