Dono do CRM usado por falso médico preso no litoral de SP morre durante as investigações; entenda

  • 21/02/2026
(Foto: Reprodução)
Enrico Di Vaio (à esq.) era sócio e dono do CRM usado por Wellington Mazini (à dir.) Redes Sociais Enrico Di Vaio, verdadeiro dono do CRM usado pelo empresário Wellington Mazini, morreu em Santos (SP). Mazini foi preso e denunciado pelo Ministério Público (MP) por utilizar o registro do profissional para se passar por médico em um hospital de Cananéia (SP). O empresário usou o CRM de Enrico, seu sócio em uma clínica em São Paulo, para realizar exames no hospital em Cananéia. Mazini afirmou que agiu a mando do médico e receberia R$ 1,5 mil pelo serviço. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) apura o caso. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. A fraude foi descoberta após o falso médico dizer ter visto a vesícula de uma paciente, que não tem o órgão. Mazini foi preso em 7 de janeiro e teve um pedido de soltura negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que considerou que a sua liberdade representava um risco à sociedade. O verdadeiro médico foi velado e enterrado na sexta-feira (20), mas ainda não há confirmação da causa da morte. O g1 apurou que ele terá a punibilidade extinta no inquérito policial — ou seja, o estado perde o direito de puni-lo por um crime. G1 em 1 minuto - Santos: Falso médico é descoberto após citar órgão que paciente não tinha A Delegacia de Cananéia havia solicitado à Delegacia de Santos que ouvisse o verdadeiro médico. Esse processo leva um tempo para retornar à autoridade responsável pela investigação, por isso ainda há possibilidade de Enrico ter prestado depoimento antes de morrer. O g1 pediu confirmação à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) sobre o andamento do depoimento, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. Alvo de processos Wellington Augusto Mazini Silva foi preso por exercício ilegal da medicina em Cananéia Redes sociais Cinco mulheres atendidas por Mazini entraram na Justiça pedindo indenização de R$ 250 mil — R$ 50 mil para cada uma. Elas solicitam reparação por danos morais após terem sido submetidas a exames de ultrassom transvaginal com o suposto profissional. Na petição enviada à Justiça, consta que o suspeito realizou exames de ultrassom transvaginal nas vítimas. O advogado destacou que a situação representou "extrema exposição e vulnerabilidade", já que as mulheres tiveram sua intimidade indevidamente violada. O advogado ainda destacou a omissão da fiscalização por parte da empresa gestora e do município. A ação foi protocolada de forma solidária, o que significa que qualquer um dos réus pode pagar o valor integral e depois cobrar sua parte. "A exposição indevida de seu corpo em contexto médico, mediante fraude, gerou intenso constrangimento e sofrimento psíquico", destacou Almeida. Ao g1, o advogado Celino Barbosa Netto, que representa Mazini, disse que a defesa ainda não foi citada sobre as ações. "Meu cliente sequer foi citado ainda na esfera criminal e os fatos narrados nas ações cíveis dependem inexoravelmente da decisão da ação penal", disse ele. Denúncias anteriores Wellington Augusto Mazini Silva foi preso por exercício ilegal da medicina em Cananéia Redes sociais Conforme apurado pelo g1, Mazini já havia sido acusado de crimes semelhantes quatro meses antes, em Santo Amaro, na Grande São Paulo. Em setembro de 2025, um empresário denunciou ele e familiares por associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica e apropriação indébita. Na acusação, o denunciante afirmou que Mazini se passou pelo mesmo médico cujo CRM foi usado em Cananéia, tendo realizado ao menos dez atendimentos na região. Entre os procedimentos, estariam ultrassonografias de próstata, vias urinárias e abdômen total. O documento destacou que a conduta colocou em risco a saúde de diversos pacientes, submetidos a exames por um profissional não habilitado. O Ministério Público e a Polícia Civil foram acionados, mas não houve retorno sobre o andamento das investigações. Denunciado O Ministério Público denunciou Mazini por estelionato, exercício ilegal da medicina, falsidade material e perigo para a vida, com penas que podem chegar a 13 anos. A defesa, representada por Celino Netto, afirmou que a acusação é “inflada” e juridicamente controversa, ressaltando que o processo ainda está em fase inicial e que os fatos serão analisados pelo Judiciário no decorrer da ação penal. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/02/21/dono-do-crm-usado-por-falso-medico-preso-no-litoral-de-sp-morre-durante-as-investigacoes-entenda.ghtml


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