Como doações de fiéis para pároco colocaram a Festa do Milho de Itapetininga no Calendário Nacional do Turismo
08/02/2026
(Foto: Reprodução) Festa do Milho está na 40ª edição
Divulgação
Dá para contar nos dedos as pessoas que resistem a um bom prato com milho na lista de ingredientes. Pamonha, curau, bolo, croquete e outras receitas fizeram de Itapetininga (SP) referência ao transformar o grão em delícias que movimentam uma das festas mais tradicionais da cidade.
A Festa do Milho chegou à marca especial da 40ª edição em janeiro de 2026. O evento termina neste domingo (8) e continua reunindo moradores e visitantes na Paróquia São Roque, onde, além das opções gastronômicas, há música ao vivo e rifas solidárias.
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Ao g1, o padre Ivan Soares, responsável pela paróquia, contou que a festa surgiu de forma informal ainda em 1986. Segundo ele, o primeiro pároco, conhecido na cidade como Luizinho, começou a receber milho dos fiéis em grande escala.
"O pessoal do sítio começou a dar milho de forma esporádica e, aos poucos, isso foi aumentando e se tornando uma festa de fato. Tudo começou a ganhar grandes proporções depois que outros representantes da igreja fizeram amizade com pessoas do bairro do Moquém", explica.
Localizado na zona rural e distante do centro urbano de Itapetininga, o bairro é, até hoje, responsável pela doação do milho utilizado no evento. Mesmo quatro décadas depois, os doadores preferem não se identificar.
"A amizade com o pessoal responsável pelo plantio com a igreja segue até hoje. Eles plantam e doam cerca de 28 a 30 toneladas de milho por edição da festa. Nós vamos até lá colher com eles", comenta.
Em cada edição, cerca de 500 voluntários se reúnem para contribuir com o funcionamento do evento e, em troca, recebem alimentação gratuita oferecida pela paróquia. Para Ivan, a festa tem importância cultural para a cidade.
Padre Ivan Soares é o responsável pela paróquia
Diocese de Itapetininga/Divulgação
"Tudo que envolve a festa é feito por pessoas da região de Itapetininga, fora que as pessoas vêm de diferentes cidades para aproveitar a festa. Em 2025, fomos reconhecidos como patrimônio cultural imaterial e passamos a integrar o Calendário Nacional do Turismo", diz.
De acordo com o padre, o lucro da Festa do Milho é destinado a diferentes frentes, como a realização de retiros da igreja, reformas e, principalmente, projetos sociais na região.
"Entregamos cestas básicas, ajudamos os irmãos de rua e, às terças-feiras, acolhemos famílias e levamos elas à fazenda para serem acolhidas espiritualmente. O dinheiro também vai para reformas da igreja e retiros, mas o essencial vai para os movimentos pastorais", afirma.
A paróquia estima que cerca de 18 mil pessoas participem de cada edição da festa, que acontece duas vezes por ano. Para comemorar a 40ª edição, haverá uma corrida e uma caminhada no dia 16 de agosto, com possibilidade de participação de animais. As inscrições ainda não foram abertas.
"Estar à frente desta festa é como uma dádiva de Deus. Por trás de cada produto produzido existem pessoas de fé, com uma história de vida nem sempre fácil, mas sempre dispostos a ofertarem seus dons. Eu sou privilegiado por aprender com cada história de vida", celebra.
A Festa do Milho é realizada na Paróquia São Roque, localizada na Rua Padre Carlos Regatieri, 71, na Vila Rio Branco, em Itapetininga.
Croquete de milho é um dos mais vendidos na festa
Divulgação
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