Com quase quatro décadas de rua, bloco que nasceu no fim da ditadura abre o carnaval em Sorocaba
13/02/2026
(Foto: Reprodução) Assista a uma reportagem especial sobre o bloco, exibida em 2025
O bloco Depois a Gente Se Vira abre oficialmente o carnaval de Sorocaba (SP) nesta sexta-feira (13), mantendo a tradição de quase quatro décadas de aliar folia e crítica social. Neste ano, o tema escolhido é a luta pelo direito e segurança das mulheres, com o lema: "Um Carnaval por um Mundo Seguro para as Mulheres".
Para contar essa história, o g1 conversou com José Orivaldo Simonetti, um dos fundadores do bloco. Ele explica que a origem do grupo está ligada ao fim da ditadura militar no Brasil.
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"Em 1986, logo após o fim da ditadura, eu e o professor Nilo Antônio Carlos Seifert assistimos a um filme que nos animou a abrir um bar. Assim nasceu o Depois, na Eugênio Salerno. A ideia inicial era Depois das 17h, mas ficou só Depois. O bar acabou virando ponto de encontro cultural e ali surgiu a vontade de criar um bloco. Como já era o fim de ano, deixamos para 1987", conta.
Simonetti e seu amigo durante o bloco Depois a Gente se Vira
Arquivo pessoal
O ambiente boêmio do bar logo se tornou um ponto de encontro onde cultura e política caminhavam juntas, e o próximo passo foi levar a folia para as ruas.
"Assim, nós reunimos cerca de seis ou sete amigos, os 'generais da banda', e começamos a pensar em cores, porta-bandeira e tudo mais. Com muito amadorismo, mas muita vontade, fomos às ruas na sexta-feira que antecede o carnaval. Foi assim que o bloco Depois da Gente Se Vira nasceu: do encontro de outros amigos dentro do bar", lembra Simonetti.
Participantes do bloco Depois a Gente se Vira
Arquivo pessoal
Simonetti destaca que uma característica fundamental do movimento era a liberdade, em um Brasil que caminhava para a redemocratização. Por isso, a decisão de não usar cordas de isolamento no bloco se tornou um símbolo para aqueles jovens.
O nome e o logotipo do bloco também nasceram de forma espontânea, em uma mesa de bar. O responsável pela criação foi o publicitário Manuel Mota, o Mané Mota.
"Ele fez um desenho e criou o nome e o logotipo, e assim o nome Depois a Gente se Vira foi adotado, e hoje estão nas camisetas, porta-bandeiras. Tudo nasceu desse pequeno esboço do Mané Mota, o bar foi só o embrião do nosso bloco", explica Simonetti.
Com 39 anos de existência e 37 desfiles de rua, o bloco já abordou diversos temas e prestou várias homenagens. Simonetti se emociona ao falar da longevidade do grupo. "Só paramos por dois anos durante a pandemia. Durar tanto tempo assim é algo raro, que só acontece em lugares como Recife e Rio de Janeiro", finaliza.
Desfile do Depois a Gente se Vira
Quando: sexta-feira (13);
Concentração: 19h;
Local: Avenida Doutor Eugênio Salerno;
Trajeto: o bloco segue pela Praça Nove de Julho, ruas Moreira César e Cesário Mota, com encerramento na Praça Frei Baraúna.
Participantes do bloco Depois a Gente se Vira
Arquivo pessoal
*Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida
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