‘Código de vestimenta’ na academia: quando o estabelecimento pode impor regras sobre as roupas de treino dos alunos?

  • 25/03/2026
(Foto: Reprodução)
Constrangimento na academia: o que fazer em uma situação como essa O caso da engenheira Poliana Frigi, que relatou ter sofrido um constrangimento após ser orientada pela funcionária de uma academia a cobrir o top durante o treino, em São José dos Campos (SP), gerou polêmica e levantou uma dúvida: afinal, academias podem impor regras sobre a vestimenta dos alunos? Segundo especialistas, sim — mas há limites. De acordo com Poliana, a situação aconteceu em uma unidade da John Boy Academia. Ela relatou que a funcionária pediu que vestisse uma camiseta por cima do top e mencionou a presença de “homens casados” no local como argumento - leia mais abaixo. O g1 apurou que, por se tratarem de estabelecimentos privados, as academias têm autonomia para definir regras internas de funcionamento, inclusive sobre vestimenta. No entanto, essas normas devem ser informadas previamente aos alunos e estar previstas em contrato ou regulamento. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Não há, porém, uma regra específica na legislação brasileira que determine quais roupas podem ou não ser usadas nesses espaços. Com base no Código de Defesa do Consumidor, as exigências não podem ser abusivas, discriminatórias ou aplicadas de forma constrangedora. Em geral, as exigências costumam estar ligadas a questões de segurança e higiene — como o uso obrigatório de tênis para fazer o treino ou a proibição de roupas inadequadas para a prática de exercícios. LEIA TAMBÉM: Academia de São José pede desculpa à aluna e cita revisão de protocolos de atendimento Mulher relata constrangimento em academia após ser orientada a cobrir top durante treino por causa de 'homens casados’ ‘Até onde vão repreender a mulher pela vestimenta?', questiona aluna que relata constrangimento por usar top em academia Mulher relata constrangimento em academia após ser orientada a cobrir top durante treino: ‘disseram que havia homens casados’ Arquivo pessoal De forma geral, especialistas apontam que academias podem impor regras de vestimenta quando: As normas estão previstas em contrato ou regulamento; Há justificativa ligada à segurança (como uso de calçados adequados); Há relação com higiene ou uso correto dos equipamentos. Por outro lado, a exigência pode ser considerada irregular quando: Não foi informada previamente ao aluno; É aplicada de forma constrangedora ou pública; Tem caráter subjetivo ou moral, sem relação com a atividade física; Há tratamento desigual entre clientes. A forma como a regra é aplicada também é determinante. Para a advogada Raquel Marcondes, ouvida pelo g1, situações em que há exposição ou abordagem inadequada podem configurar constrangimento ilegal. “Quando a pessoa vai a um ambiente como a academia, é esperado que use roupas confortáveis e adequadas para a prática de atividade física. É comum, por exemplo, o uso de top e legging. Se alguém é constrangido por esse tipo de vestimenta, especialmente de forma vexatória ou humilhante, isso pode configurar constrangimento ilegal”, explicou. Advogada orienta mulheres a como agir caso sofram constrangimento na academia Segundo a advogada, o problema se agrava quando a situação ocorre diante de outras pessoas. “Se isso acontece de forma pública, com outras pessoas assistindo, e gera humilhação, a situação se torna ainda mais grave e pode ter repercussão tanto na esfera penal quanto na civil”, orientou. A especialista explica ainda que, mesmo em ambientes privados, não é possível impor regras de forma arbitrária. “A academia pode ter regras, mas elas precisam estar previstas em contrato e ser informadas previamente. Se não há essa previsão, e a pessoa está usando uma roupa comum para aquele ambiente, não é razoável exigir mudança de vestimenta”, disse. Mulher relata constrangimento em academia após ser orientada a cobrir top O que fazer em caso de constrangimento? Em situações de possível violação, a orientação é registrar o ocorrido e buscar os canais adequados. “A vítima pode procurar uma delegacia, relatar o ocorrido e buscar um advogado de confiança para ingressar com as medidas cabíveis, tanto na esfera penal quanto para eventual indenização”, afirmou Raquel. Casos que envolvem exposição ou humilhação podem resultar em processos judiciais e até indenização por danos morais, dependendo da situação. A orientação é que, ao se sentir constrangida, a pessoa: Registre o ocorrido (com vídeos, mensagens ou testemunhas); Formalize reclamação junto à empresa; Procure órgãos de defesa do consumidor ou a Justiça, se necessário. Mulher relata constrangimento sobre vestimenta em academia O caso Uma engenheira relatou nas redes sociais ter sofrido constrangimento dentro de uma academia de São José dos Campos (SP), no fim de semana, após ser orientada a vestir uma camiseta para cobrir o top que usava durante o treino. Segundo Poliana Frigi, ela foi questionada se o top era um sutiã e foi solicitado que ela se cobrisse para “segurança dela”, pois no local havia “homens casados”. O caso aconteceu em uma unidade da John Boy Academia, no bairro Jardim Oswaldo Cruz, e ganhou repercussão nas redes sociais, com internautas questionando a conduta do local. Em nota, a academia disse que apura o caso - leia a nota completa no final da reportagem. No vídeo, Poliana Frigi afirmou que usava um top de academia quando foi abordada por uma funcionária da recepção. “Eu estava com um top de academia de uma marca conhecida no mundo fitness e fui abordada pela recepcionista perguntando se eu estaria de sutiã. Na hora eu expliquei que era um top, mostrei o logo, o tecido, e ela disse que teve gente reclamando porque a alça era muito fina”, contou. Segundo Poliana, a funcionária sugeriu que ela cobrisse o corpo por conta da presença de outros alunos. “Ela perguntou se eu não teria uma camiseta para colocar, alguma coisa para cobrir, porque tem homens casados aqui e não fica legal para mim, principalmente pela minha própria segurança. Eu fiquei em choque. Falei que não tinha camiseta e que não colocaria, porque eu estava de top”, disse. “Eu comecei a me olhar no espelho e pensar: será que eu estou com um top pequeno? Será que está aparecendo alguma coisa? Eu comecei a me sentir mal. Até onde isso vai ser normal? Até onde vão repreender mulheres pela vestimenta? Independente da roupa, eu estava com um top de academia normal. Parece que o problema sempre vai ser a mulher, e não o ambiente ou o comportamento dos outros”, lamentou a mulher. Após polêmica sobre cobrir top, academia de São José pede desculpa à aluna e cita revisão de protocolos de atendimento Reprodução/TV Vanguarda O que diz a academia Em nota, a John Boy Academia informou que tomou conhecimento do caso e que abriu uma apuração interna. A empresa afirmou que o compromisso é manter um ambiente “respeitoso, seguro e acolhedor” e que está revisando protocolos de atendimento e comunicação, além de promover treinamentos sobre respeito, diversidade e inclusão. “Entendemos que qualquer situação que possa gerar desconforto deve ser abordada com sensibilidade, cuidado e responsabilidade. Iniciamos imediatamente uma apuração interna para compreender integralmente o ocorrido”, diz trecho da nota. A academia também declarou que tenta contato com a aluna e pediu desculpas pelo episódio. “Pedimos desculpas à nossa aluna e a todos que se sentiram afetados. Reconhecemos que erros podem ocorrer, mas estamos comprometidos em evoluir com responsabilidade e respeito.” Leia a nota da academia na íntegra: “A John Boy Academia tomou conhecimento das manifestações recentes envolvendo uma aluna em uma de nossas unidades e esclarece que o caso está sendo tratado com a máxima seriedade e atenção. Nosso compromisso sempre foi proporcionar um ambiente respeitoso, seguro e acolhedor para todos os alunos, pautado pelo respeito à individualidade e à dignidade de cada pessoa. Entendemos que qualquer situação que possa gerar desconforto deve ser abordada com sensibilidade, cuidado e responsabilidade. Por isso, iniciamos imediatamente uma apuração interna para compreender integralmente o ocorrido. Estamos buscando contato direto com a aluna envolvida para ouvi-la. Internamente, já iniciamos a revisão de nossos protocolos de atendimento e comunicação, incluindo treinamentos voltados a respeito, diversidade e inclusão para toda a equipe. A academia reforça que não compactua com condutas inadequadas ou que possam causar constrangimento e reafirma seu compromisso com a melhoria contínua de seus processos. Pedimos desculpas à nossa aluna e a todos que se sentiram afetados por este episódio. Reconhecemos que erros podem ocorrer, mas o que define uma organização é a forma como eles são enfrentados — e estamos comprometidos em evoluir com responsabilidade e respeito. Seguimos firmes em nosso compromisso de aprimorar continuamente nossos processos, sempre priorizando o bem-estar e o respeito aos nossos alunos”, diz a nota. Mulher relata constrangimento em academia após ser orientada a cobrir top durante treino: ‘disseram que havia homens casados’ Arquivo pessoal Infográfico - Local onde aluna de academia relatou constrangimento por uso de top fica em São José dos Campos. Arte/g1 Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

FONTE: https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2026/03/25/codigo-de-vestimenta-na-academia-quando-o-estabelecimento-pode-impor-regras-sobre-as-roupas-de-treino-dos-alunos.ghtml


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