Após decisão judicial, Azul transporta corpo de idoso que morreu após passar mal em avião em Viracopos, diz advogado
05/04/2026
(Foto: Reprodução) Ativo e gostava de viajar: quem é o idoso que morreu após passar mal em avião em Viracopos
Após determinação judicial, a Azul Linhas Aéreas transportou na manhã deste domingo (5), de Campinas (SP) para Vitória (ES), o corpo de Carlos Alberto Nunes de Lima, de 79 anos. Ele morreu na madrugada de sexta-feira, depois de 42 dias internado, após passar mal e ser resgatado de dentro de um avião no Aeroporto de Viracopos.
A realização do translado foi confirmada pelo advogado da família, Raphael Augusto de Paiva Ziti. Ele ressalta, no entanto, que o corpo chegou ao destino sem a certidão de óbito documento necessário para o sepultamento.
Em nota, a Azul comunicou que segue em contato com a família para prestar apoio.
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O embarque ocorreu às 8h45, e o corpo chegou à capital capixaba — onde Carlos Alberto morava — por volta das 10h30. No entanto, ainda há obstáculos a serem superados, segundo Raphael.
"Houve muito entrave por conta da certidão de óbito. A companhia aérea detinha a responsabilidade por ordem judicial de preparar o corpo, o voo, o envio da dona Andreia (Pereira de Lima, de 60 anos, filha de Carlos Alberto) junto e toda a parte documental. O corpo, ao que consta, veio sem a certidão de óbito. Então agora nós estamos vendo a questão de como vamos proceder com o velório, o sepultamento, se vamos ter algum óbice aqui em Vitória", disse.
A Justiça de Vitória havia determinado, na noite da última sexta, que a Azul fizesse o translado imediato do corpo e arcasse com todos os custos logísticos funerários e taxas aeroportuárias.
De acordo com Raphael, a família havia pedido o translado diretamente para a companhia aérea, que teria se recusado. Diante da negativa, houve a ação judicial.
No sábado, a filha de Carlos Alberto também desembarcou em Campinas para a liberação do corpo.
Outra ação judicial
Aviões da Azul, no Aeroporto de Viracopos
Estevão Mamédio/g1
Segundo Andreia, a família também ajuizou uma ação contra a Azul para cobrar explicações sobre o que aconteceu no dia do voo e que motivou a indisposição do pai. O idoso supostamente tinha uma hérnia umbilical, que estourou durante a viagem.
"O que a família quer é o esclarecimento. Acho que é o mínimo que eles podem fazer. As pessoas, os meus amigos me perguntam: 'o que aconteceu com seu pai?' Eu não sei. Sei que estrangulou uma hérnia, supostamente por um cinto muito apertado pela pressurização do avião", disse.
A defesa da família também pediu à Justiça acesso às imagens de câmera de segurança do aeroporto para saber como foi feito o resgate.
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"É uma falta de respeito, sabe? Uma falta de humanidade, de tudo. Nós estamos extasiados com a situação. Sabe quando você não está acreditando no que está vivendo? Isso parece um trem fantasma. É assim que nós estamos nos sentindo. Simplesmente naufragados no meio do oceano."
Andreia ainda criticou o tratamento recebido pela Azul enquanto o pai estava internado, já que a companhia aérea teria bancado hotel e transporte em Campinas durante sete dias. Depois disso, ela teria sido informada que "a conversa seria na Justiça".
Em nota, a Azul comunicou que "lamenta e se solidariza com familiares e amigos do cliente neste momento", mas que, "em respeito ao momento da família", não vai comentar sobre os pontos que estão sendo tratados judicialmente.
Atendimento prioritário e indisposição
Carlos Alberto Nunes de Lima gostava de viajar e era bastante ativo, segundo a família
Arquivo pessoal
Carlos Alberto foi levado por uma nora ao aeroporto de Porto, em Portugal, e entregue aos cuidados de uma funcionária da Azul Linhas Aéreas. O voo tinha como destino Vitória, onde reside parte da família do idoso.
Imagens registradas momentos antes do embarque mostram Carlos Alberto se despedindo do filho, emocionado, e conversando. O passageiro aparecia em uma cadeira de rodas, conduzida por uma colaboradora da companhia (assista ao vídeo acima).
Segundo protocolo da Azul, e de acordo com a resolução 280 da Agência Nacional de Aviação (Anac), o idoso deveria ser acompanhado durante toda a viagem, com tratamento prioritário.
A família diz que havia solicitado esse auxílio para Carlos Alberto, incluindo a cadeira de rodas e todo o suporte da tripulação. A chefe de cabine também teria sido avisada sobre as condições do passageiro, e teria dito aos familiares que "estava tudo certo".
A indisposição aconteceu após o pouso em Viracopos. O idoso teria sido encontrado desacordado — situação que a Azul nega — e levado a uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA). Posteriormente, ele foi encaminhado ao Mário Gatti.
Piora do quadro de saúde
No hospital, a família foi informada sobre o estrangulamento de uma hérnia umbilical, o que teria motivado Carlos Alberto a passar mal. Ele chegou a ficar desacordado por alguns dias, mas depois apresentou melhora do quadro de saúde.
"Conversei com ele quando acordou e pedi para colocar o polegar para cima para dizer 'sim' ou para baixo para dizer 'não'. Aí eu fiz a pergunta: 'você passou mal dentro do avião?' Ele disse que sim. Perguntei: você sentiu dor? Aí ele disse que sim e sussurrou bem baixinho 'muita dor'. Depois, ele me contou do cinto, que estava apertado", contou Andreia.
Após nove dias internado, Carlos Alberto teria pego uma infecção hospitalar, que motivou uma pneumonia. O Mário Gatti não confirma a infecção e fala em piora do quadro por conta de "complicações associadas a uma pneumonia".
"Depois que ele pegou essa infecção, entubaram o meu pai de novo. Ficou até fazer traqueostomia. Aí teve uma melhora rápida, mas logo depois veio a falecer", disse a filha.
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